O Banco Mundial revisou para baixo sua projeção de crescimento global para 2026, fixando-a em 2,5%. A decisão reflete o impacto direto da guerra no Oriente Médio, que tem provocado interrupções severas no abastecimento de energia e renovado pressões inflacionárias em escala global, segundo relatório semestral da instituição.
A perspectiva, descrita como a mais sombria desde o início da pandemia de Covid-19, aponta que a expansão econômica pode desacelerar para apenas 1,3% se o choque energético for acompanhado por instabilidades nos mercados financeiros. A instituição alerta que a resiliência da economia mundial está significativamente menor do que em períodos de crises anteriores, como 2008 ou 2018.
O impacto do choque energético
A raiz da deterioração econômica reside no fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou drasticamente os preços do petróleo Brent, projetado pelo banco em uma média de US$ 94 por barril para este ano. A alta de 36% em relação a 2025 pressiona não apenas os custos logísticos, mas também o preço dos fertilizantes, ameaçando a segurança alimentar em diversas regiões.
O cenário básico do Banco Mundial pressupõe que as interrupções diminuam até o final de julho. No entanto, o vice-economista-chefe Ayhan Kose reforça que as perspectivas podem se deteriorar rapidamente caso as pressões financeiras e energéticas se retroalimentem, minando a confiança dos investidores e a estabilidade dos preços.
Dinâmicas de crescimento e dívida
Mesmo com a expectativa de uma recuperação para 2,8% em 2027, o crescimento global permanece abaixo da média da década de 2010. Fatores estruturais, como o envelhecimento populacional, a queda no investimento público e privado, e o acúmulo de dívida pública, limitam o potencial de expansão das nações desenvolvidas e em desenvolvimento.
O relatório destaca uma "década perdida" para diversos países em desenvolvimento, que não têm conseguido reduzir a diferença de renda per capita em relação às economias avançadas. A China, por exemplo, teve sua previsão reduzida para 4,2%, enquanto a zona do euro deve crescer apenas 0,8% em 2026.
Implicações para o ecossistema global
A tensão geopolítica atinge de forma desigual as nações, sendo os países exportadores de energia do Oriente Médio os mais afetados pelas revisões negativas. Para os formuladores de políticas monetárias, o desafio é equilibrar o combate a uma inflação persistente, que já supera as metas de bancos centrais como o BCE, com o risco de sufocar a atividade econômica em um ambiente de juros elevados.
Para investidores, a volatilidade no mercado de energia tornou-se o principal indicador de risco. A incerteza política e a possibilidade de novos conflitos militares exigem uma gestão de portfólio mais cautelosa, focada em ativos que apresentem maior resiliência a choques de oferta e crises de liquidez.
Perspectivas futuras e incertezas
O que permanece em aberto é a capacidade de resposta das potências globais para estabilizar os mercados financeiros se o choque energético se prolongar. A fragilidade da confiança global sugere que qualquer nova escalada militar pode desencadear uma reação em cadeia difícil de conter via política monetária convencional.
A observação dos próximos meses deve se concentrar nos índices de inflação e no comportamento dos preços das commodities, que servirão como termômetros para a viabilidade das projeções atuais. A economia global entra em uma fase de incerteza onde os modelos tradicionais de crescimento enfrentam limitações severas diante de crises que, simultaneamente, afetam oferta, demanda e o custo do capital.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





