A Baselayer, startup especializada em verificação de identidade e avaliação de risco para instituições financeiras, anunciou um aporte de US$35 milhões em uma rodada Série A liderada pela M13. O capital será destinado à expansão de sua tecnologia de identidade para abranger agentes de inteligência artificial (IA), um novo e crescente desafio no cenário digital.

A rodada contou com a participação de Picus Capital, Torch Capital, Afore Capital e Matt Thompson da Socure. Este financiamento eleva o total arrecadado pela Baselayer, fundada em 2023, para cerca de US$40 milhões. A empresa, sediada em São Francisco, atua na interseção entre tecnologia financeira e segurança, buscando estabelecer um novo padrão de confiança na era da automação avançada.

A expansão de um negócio de risco

A Baselayer se consolidou no mercado financeiro ao combinar dados de identidade empresarial, crédito e fraude para auxiliar bancos, fintechs e outras empresas de serviços financeiros na avaliação de potenciais clientes. Sua plataforma automatizada, inicialmente focada em processos de Know Your Business (KYB), detecção de fraudes e gestão de riscos, já é utilizada por mais de 2.000 instituições financeiras nos EUA, representando mais de 20% do total. A startup afirma ter ajudado seus clientes a prevenir mais de US$1 bilhão em perdas por fraude desde sua fundação, alcançando receita de oito dígitos em menos de dois anos.

O modelo de negócios da Baselayer se baseia em um conceito de rede de identidade e consórcio de fraude. Ao processar dezenas de milhões de aplicações e observar a mesma empresa interagindo com múltiplas instituições, a empresa constrói um score de risco mais robusto e preciso. Essa abordagem colaborativa, onde dados de diferentes participantes enriquecem a análise, permitiu à Baselayer acelerar sua curva de aprendizado e penetração de mercado.

O dilema da identidade em agentes de IA

A nova fronteira para a Baselayer reside na verificação da legitimidade de agentes de IA. Com a crescente adoção dessas ferramentas para tarefas cotidianas, como reservas e transações, torna-se cada vez mais difícil distinguir entre atividade automatizada legítima e bots maliciosos que buscam extrair dados ou cometer fraudes. Agentes de IA podem ser criados para uma única tarefa e desaparecer rapidamente, deixando um rastro mínimo para avaliação de risco.

Para enfrentar esse desafio, a Baselayer lança seu Agentic Identity Suite, introduzindo o conceito de "Know Your Agent" (KYA). O sistema visa identificar não apenas quem desenvolveu um agente de IA, mas também a quem ele representa e se possui permissão para executar tarefas específicas. A ideia é fornecer aos agentes autorizados uma credencial verificável que possa ser apresentada em interações comerciais, permitindo que comerciantes e instituições financeiras decidam sobre a permissão da transação.

Escalada da fraude e a corrida por um padrão

A mesma tecnologia que habilita agentes legítimos a operar com mais eficiência pode ser explorada por fraudadores para escalar ataques. A automação proporcionada pela IA permite que atividades fraudulentas, que antes exigiam tempo e esforço manual, ocorram de forma contínua, barata e rápida. Relatos de agentes de IA contornando restrições e agindo de forma não autorizada, como os observados em modelos de OpenAI, evidenciam a urgência de mecanismos de controle e identificação.

A Baselayer reconhece que sua tecnologia não impede um agente de IA de desobedecer instruções ou explorar vulnerabilidades. Contudo, o foco está em verificar as credenciais do agente no momento da interação ou transação. Sem uma forma clara de identificação, agentes legítimos correm o risco de serem bloqueados indiscriminadamente, limitando sua utilidade e levando-os a buscar meios de contornar restrições, ou simplesmente serem menos eficazes por serem constantemente confundidos com bots.

A corrida para definir a infraestrutura da economia agentica

Investidores como Karl Alomar, da M13, veem a expansão da Baselayer para agentes de IA como um passo natural e estratégico. Inicialmente percebida como uma empresa de tecnologia KYB, a Baselayer demonstrou capacidade de adaptação ao identificar o potencial de sua infraestrutura de identidade em um novo domínio. A tese é que todo agente de IA, para operar de forma confiável no mundo real, precisa estar vinculado a uma entidade real e ter sua permissão verificada.

A ausência de um padrão dominante para a identidade de agentes de IA abre uma janela de oportunidade para a Baselayer. No entanto, a empresa enfrenta o desafio de persuadir desenvolvedores de agentes, comerciantes e instituições financeiras a adotarem sua credencial. O processo de estabelecimento de parcerias, especialmente com grandes comerciantes, pode levar até 24 meses, embora os relacionamentos existentes com instituições financeiras e redes de revendedores possam acelerar a adoção.

O potencial de aplicação se estende além de pagamentos, podendo autorizar agentes em transações de criptomoedas ou contratos inteligentes. A Baselayer se posiciona, assim, não apenas como uma fintech, mas como uma empresa de segurança essencial para a infraestrutura da emergente economia agentica, onde a verificação de permissão para ações autônomas se torna um pilar fundamental. A questão que permanece é se a Baselayer conseguirá estabelecer seu padrão antes que outros concorrentes o façam ou que regulamentações específicas surjam.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Crunchbase News