O BB Investimentos promoveu uma reestruturação significativa em sua carteira recomendada de dividendos para o mês de setembro, substituindo metade dos dez ativos que a compõem. A mudança representa um movimento tático relevante, com a saída de gigantes do setor financeiro e elétrico em favor de nomes ligados à indústria e infraestrutura.

Deixam o portfólio as ações da Bradespar (BRAP4), Bradesco (BBDC4), Caixa Seguridade (CXSE3), Itaúsa (ITSA4) e Taesa (TAEE11). Para seus lugares, entram Banco ABC (ABCB4), Axia (AXIA3), B3 (B3SA3), Marcopolo (POMO4) e Vibra (VBBR3). A decisão ocorre após um mês de performance abaixo do esperado: em agosto, a carteira recuou 2%, enquanto seu índice de referência, o IDIV, caiu 1,65%. A leitura é que a gestora busca novas fontes de retorno em um cenário de juros ainda elevados.

Uma aposta na economia real

A troca de ativos sinaliza uma aposta clara na chamada economia real. Ao retirar nomes de peso como Bradesco e Itaúsa, pilares tradicionais de qualquer estratégia de dividendos no Brasil, o BB Investimentos reduz sua exposição direta ao setor financeiro. A saída de Taesa, uma transmissora de energia conhecida pela previsibilidade de suas receitas, também reforça a busca por teses de investimento com maior sensibilidade ao ciclo econômico.

A entrada de Marcopolo, uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo, e da Vibra, líder na distribuição de combustíveis, aponta para uma expectativa de aquecimento da atividade econômica. A inclusão da B3, por sua vez, representa uma aposta na própria dinâmica do mercado de capitais. Banco ABC e Axia completam a lista como escolhas mais nichadas, mas alinhadas a um cenário de crescimento setorial.

O desafio do retorno

Apesar da renovação, o desafio da nova carteira será entregar performance superior ao benchmark, algo que não ocorreu no acumulado do ano. A estratégia parece ser balancear o risco das novas teses com o retorno esperado de papéis que permaneceram no portfólio. As maiores projeções de dividend yield vêm de ações que já estavam na carteira, como Allos (ALOS3), com 13,1%, e TIM (TIMS3), com 11,6%. A recém-chegada Marcopolo também entra com uma expectativa elevada, de 11,6%.

Com um dividend yield médio projetado de 9,4%, o portfólio mantém seu apelo para o investidor focado em proventos. No entanto, a diversificação para setores mais cíclicos aumenta a complexidade da gestão. O movimento do BB reflete um dilema presente no mercado: manter-se fiel aos pagadores de dividendos históricos ou buscar oportunidades em empresas cujos resultados — e futuros dividendos — dependem mais diretamente do crescimento do PIB.

O desempenho da carteira nos próximos meses servirá como um termômetro importante para validar se a aposta na indústria e na infraestrutura foi a decisão correta para gerar alfa em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times