O Bradesco BBI divulgou nesta segunda-feira (18) uma atualização de modelos para o varejo farmacêutico, reiterando a RD Saúde como sua principal escolha no setor. Segundo o relatório, a queda de 20% acumulada pelas ações da companhia nos últimos três meses é considerada injustificada, não refletindo a qualidade operacional ou a natureza defensiva do negócio.
Mesmo com o aumento das projeções para a taxa Selic média, que agora é estimada em 14,1% para 2026 e 10,8% para 2027, o banco manteve o preço-alvo de R$ 27 para o papel. A análise aponta que as estimativas de lucro líquido para os próximos anos sofreram apenas ajustes marginais, mantendo a confiança na capacidade de execução da rede.
Contexto da resiliência operacional
A tese do Bradesco BBI sustenta-se no momentum de crescimento e na qualidade da gestão da RD Saúde. Historicamente, o setor farmacêutico brasileiro atua como um refúgio em momentos de volatilidade macroeconômica, devido à previsibilidade da demanda por medicamentos e itens de higiene pessoal. A leitura de mercado aqui é que, ao ignorar a resiliência do modelo de negócio, investidores podem estar precificando um risco que não se materializa nos balanços da empresa.
Vale notar que, embora o cenário de juros mais altos impacte o custo de capital e o endividamento, a RD Saúde mantém uma posição competitiva que lhe permite navegar por ciclos econômicos adversos com maior facilidade que pares menores. A avaliação de que o ativo negocia a múltiplos de P/L de 20,2 vezes para 2026, bem abaixo da média histórica superior a 30 vezes, sugere uma desconexão entre o valor fundamental e o preço de tela atual.
Dinâmicas do setor farmacêutico
O setor enfrenta uma bifurcação clara em termos de performance e expectativa de lucro. Enquanto a líder RD Saúde mantém suas projeções, concorrentes como Pague Menos e Panvel sofreram revisões negativas em suas estimativas de lucro, pressionadas pelo novo patamar das taxas de juros. A Pague Menos, embora mantenha recomendação de compra, teve seu preço-alvo ajustado para R$ 7, refletindo um valuation mais descontado, porém sob maior pressão operacional.
O mecanismo de incentivos no varejo farmacêutico brasileiro privilegia a escala e a densidade geográfica. A capacidade de manter margens operacionais enquanto se expande, mesmo em um ambiente de desaceleração no ritmo de vendas, é o que separa a líder de mercado de seus competidores diretos. O banco espera que os resultados do segundo trimestre de 2026 permaneçam robustos, com crescimento de 21-23% do Ebitda em relação ao ano anterior.
Tensões e implicações de mercado
A divergência entre a visão do Bradesco BBI e o comportamento recente do mercado levanta questões sobre o sentimento do investidor em relação a ativos de crescimento em ambientes de Selic elevada. Para o investidor institucional, a questão central é determinar se a desvalorização é uma oportunidade de entrada ou um sinal de fadiga no modelo de expansão das grandes redes de farmácias.
Para o ecossistema de varejo, a consolidação segue como a principal tendência, mas o custo dessa expansão tornou-se mais oneroso. A capacidade de gerar caixa operacional será o fiel da balança para as empresas que buscam manter o favor dos analistas e a confiança do mercado de capitais nos próximos trimestres.
Perspectivas e incertezas
O que permanece incerto é a duração da pressão sobre o consumo discricionário e como as redes de farmácias conseguirão equilibrar a abertura de novas unidades com a necessidade de preservar margens operacionais. O mercado deve observar de perto os próximos balanços trimestrais para confirmar se a resiliência projetada pelo BBI se traduzirá em números reais.
Acompanhar a trajetória da Selic e seu impacto direto na alavancagem das empresas do setor será fundamental para validar se o atual nível de negociação dos papéis representa, de fato, um ponto de entrada atrativo ou se novos ajustes nos modelos serão necessários.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





