Em um movimento expressivo na bolsa, o Bradesco (BBDC4) adicionou R$ 50 bilhões ao seu valor de mercado após uma valorização de 26% em suas ações. O forte desempenho chamou a atenção de analistas e sinaliza uma mudança na percepção de risco dos investidores em relação ao banco, culminando em uma reavaliação otimista pelo JPMorgan.
Análise do JPMorgan: Potencial de Recuperação
Apesar da expressiva alta já observada, o JPMorgan sinaliza que o potencial de valorização do Bradesco pode não ter se esgotado. Analistas do banco elevaram a recomendação das ações do Bradesco de neutra para compra, estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 28. Este valor representa um potencial de alta de 25% em relação ao patamar atual, contrastando com a trajetória de outros grandes bancos, como o Banco do Brasil (BBSA3), cujas ações apresentaram movimento oposto.
Configuração de Recuperação Convincente
Em seu relatório, os analistas do JPMorgan reconhecem as dificuldades de curto prazo enfrentadas pelo Bradesco. Contudo, avaliam que o banco apresenta, a partir de agora, uma configuração de recuperação mais convincente. A percepção é que o sentimento do mercado já precifica uma parcela significativa dos desafios de curto prazo, abrindo espaço para uma reavaliação positiva. Embora preocupações com a queda das taxas de juros afetando ganhos com seguros sejam mencionadas, a receita líquida de juros (NII) do mercado tende a exibir bom desempenho, segundo os analistas.
Vantagem de Capital e Direção Correta
O JPMorgan destaca que, em comparação direta com o Banco do Brasil, o Bradesco detém uma posição de capital mais confortável. A administração do banco estaria tomando medidas adequadas, como a capitalização de dividendos para aprimorar seu balanço patrimonial tangível. "Sim, ainda há um longo caminho a percorrer, mas a direção é correta", resumem os analistas, indicando que as ações estratégicas estão alinhadas com a recuperação.
Múltiplos e Custo de Capital
Atualmente, o Bradesco negocia a 1,1 vez o seu valor patrimonial, segundo os cálculos do JPMorgan. Os analistas vislumbram a possibilidade de múltiplos mais elevados, na faixa de 1,3 a 1,4 vez, como observado no passado. O novo preço-alvo foi impulsionado primariamente pela redução do custo de capital (CoE), mesmo com revisões marginalmente negativas nos lucros por ação (EPS) para o curto prazo. A leitura aqui é que a melhora na percepção de risco e a gestão de capital são fatores-chave para a reavaliação do banco.
Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras
Embora o JPMorgan apresente um cenário otimista, permanecem questões sobre a velocidade e a robustez da recuperação em um ambiente de juros em queda e possíveis pressões sobre margens. A capacidade do Bradesco de executar sua estratégia de capitalização e de navegar pelos desafios de curto prazo será crucial. O mercado observará atentamente se o banco conseguirá sustentar a trajetória de valorização e alcançar os múltiplos esperados pelo banco de investimento.
O recente movimento de alta do Bradesco, validado pela confiança renovada de analistas como os do JPMorgan, ilustra a dinâmica do mercado financeiro brasileiro. A expectativa agora se volta para a concretização das projeções de recuperação e para a capacidade do banco de executar sua estratégia e capitalizar sobre essa nova fase de otimismo. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





