A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a reorganização societária que visa separar as operações da Arezzo&Co e do Grupo Soma. A decisão, anunciada na noite de quarta-feira, representa um avanço significativo para o "divórcio" entre as duas companhias, que haviam se unido há aproximadamente dois anos. A aprovação do Cade ainda precisa ser confirmada em caráter definitivo após um período de 15 dias, mas o sinal verde inicial sugere um caminho mais claro para a conclusão da operação, que também depende de deliberações internas de conselhos e acionistas.

A proposta de separação, anunciada em setembro, visa restabelecer a autonomia de gestão para os blocos liderados por Alexandre Birman (Arezzo&Co) e Roberto Jatahy (Grupo Soma). As divergências sobre a condução dos negócios e a integração das operações foram os principais motivadores para o rompimento, dificultando a sinergia esperada desde a fusão, concluída em agosto de 2024. A tensão entre os empresários já vinha se manifestando, com especulações sobre o desfecho ganhando força desde março de 2025.

Estratégias de Separação e Autonomia

A reorganização societária busca oferecer a cada grupo a liberdade necessária para traçar suas próprias estratégias de crescimento e captação de recursos. Sob o novo desenho, a Arezzo&Co concentrará suas operações em calçados e acessórios, além de manter a Hering. O Grupo Soma, por sua vez, ficará responsável por marcas como Animale, NV, Maria Filó e Cris Barros, além da Reserva. A marca Farm Rio terá um modelo de "guarda compartilhada", com uma sociedade conjunta que envolverá a Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, com participações majoritárias da Arezzo&Co (57,4%) e minoritárias do Soma (42,6%), além de uma administração independente.

O Papel do Cade na Reorganização

A aprovação do Cade é um marco regulatório crucial para a concretização da separação. Ao analisar a operação, o órgão de defesa da concorrência avalia os potenciais impactos no mercado e a dinâmica competitiva. A ausência de restrições na aprovação sugere que o Cade considerou que a separação não acarretará prejuízos significativos à concorrência no setor de moda e varejo. Esse aval regulatório é fundamental para que as empresas possam prosseguir com as demais etapas necessárias para a cisão, como as aprovações de seus respectivos conselhos de administração e acionistas, além de quaisquer condições precedentes estabelecidas.

Impactos no Mercado de Moda

A separação das operações entre Arezzo&Co e Grupo Soma pode redefinir o cenário competitivo no mercado de moda brasileiro. Com maior autonomia, cada grupo terá a liberdade de investir em suas marcas, explorar novos mercados e buscar parcerias estratégicas de forma independente. A Arezzo&Co, ao integrar a Hering, fortalece seu portfólio no segmento de vestuário, enquanto o Soma foca em suas marcas de moda premium. A gestão compartilhada da Farm Rio também aponta para uma tentativa de otimizar o valor da marca, preservando sua identidade criativa e expandindo seu alcance global.

Perguntas em Aberto Pós-Cade

Com a aprovação do Cade, o foco se volta agora para a execução da cisão e a reestruturação das operações. Resta saber como cada grupo se posicionará estrategicamente no mercado de moda, quais serão as prioridades de investimento e como a captação de recursos será conduzida de forma independente. A gestão compartilhada da Farm Rio também apresentará desafios e oportunidades únicas. A forma como as novas estruturas de governança serão implementadas e a capacidade de cada liderança em impulsionar o crescimento de seus respectivos portfólios serão determinantes para o sucesso dessa nova fase.

A decisão do Cade abre caminho para a retomada da autonomia e da estratégia individual de cada grupo. A expectativa é que a separação permita que Arezzo e Soma alcancem seus potenciais máximos, cada um em seu segmento e com suas marcas distintivas, reconfigurando o panorama do setor de moda no Brasil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times