A Confederación Española de Agencias de Viajes (CEAV) e o sindicato Valorian iniciaram um processo de negociação crucial para definir as condições laborais do setor entre 2026 e 2028. Segundo reportagem da Forbes España, a distância entre as propostas salariais das duas partes coloca em evidência o desafio de equilibrar a competitividade das empresas com as expectativas de recomposição salarial dos funcionários.

Enquanto a CEAV defende um aumento salarial acumulado de 7,5% ao longo do triênio, o sindicato Valorian, que representa a maior parte da categoria, mantém uma postura mais ambiciosa, pleiteando um reajuste total de 11%. O impasse reflete a tensão típica de negociações coletivas em um setor que busca se modernizar diante da pressão por eficiência e adoção de novas tecnologias.

Divergências na estrutura de ganhos

A proposta da entidade patronal, a CEAV, prevê um incremento anual médio de 2,5%, enquanto o sindicato propõe um escalonamento de 4% em 2026, seguido por 3,5% em 2027 e 3,5% em 2028. Além do percentual de reajuste, o ponto de atrito reside na política de compensação e absorção salarial. A CEAV sugere uma eliminação progressiva por faixas, começando em 24.000 euros em 2026 e chegando ao teto da convenção em 2028.

Em contrapartida, o Valorian insiste em um patamar de 32.000 euros ou o salário máximo da convenção para todo o período de três anos. Essa diferença de visão sobre a base salarial sugere uma tentativa do sindicato de elevar o piso da categoria, enquanto os empregadores buscam maior flexibilidade para gerir os custos fixos da folha de pagamento.

Impacto na jornada e produtividade

A questão da carga horária também divide as partes. A CEAV propõe uma redução de quatro horas em 2027 e outras quatro em 2028. Já o sindicato exige uma redução mais agressiva, de oito horas em cada um desses anos. No que diz respeito às férias, a patronal mantém os 22 dias úteis, com a opção de fixar duas semanas contínuas entre junho e setembro, enquanto os trabalhadores pedem um aumento gradual para 23 dias em 2027 e 24 em 2028.

A discussão sobre o ordenamento legal e a progressão de carreira revela prioridades distintas. A CEAV busca limitar a progressão automática até o nível 5, deixando os níveis superiores a critério das empresas, além de exigir maior rigor na avaliação de desempenho. O sindicato, por outro lado, foca na capacitação técnica como motor para o desenvolvimento profissional.

Tensões no modelo de gestão

A estratégia do sindicato Valorian de insistir em maior investimento na oferta formativa demonstra uma preocupação com o futuro da mão de obra frente às mudanças no mercado. A preparação para a inovação é vista pelos trabalhadores como um ativo estratégico que deve ser financiado pelas agências, enquanto a CEAV prioriza o controle de custos e a flexibilidade na gestão de pessoal de níveis mais elevados.

Este cenário de negociação reflete as dificuldades que o setor de viagens enfrenta para se manter relevante e eficiente. A necessidade de reciclar as equipes e otimizar o desenvolvimento profissional é um consenso, mas o ônus financeiro dessa transição permanece como o principal ponto de discórdia entre as partes.

O que esperar da próxima rodada

Com a próxima reunião agendada para o dia 23 de julho, a expectativa é se haverá espaço para concessões que aproximem as partes. O setor, que busca ser mais competitivo e atraente para novos talentos, precisa encontrar um denominador comum que não sacrifique a sustentabilidade financeira das agências nem a qualidade de vida dos trabalhadores.

A manutenção do prazo de vigência de três anos indica que ambos os lados reconhecem a necessidade de estabilidade jurídica. O desfecho desta negociação servirá como um termômetro importante para a saúde das relações laborais no turismo espanhol nos próximos anos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España