Glenn Fogel, o CEO da Booking Holdings, controladora de um dos maiores ecossistemas de viagens do mundo, deu um recado direto sobre o futuro do trabalho: a inteligência artificial terá um “custo humano”. Em um podcast recente, o executivo afirmou que a empresa já se movimenta para mitigar o impacto, mas sem falsas promessas de que todos os empregos serão preservados.

A diretriz para seu departamento de recursos humanos é clara: tornar “cada um dos funcionários” um profissional “alfabetizado em IA”. A lógica, segundo reportagem do Business Insider, é pragmática. Se uma função se tornar obsoleta, o colaborador terá ao menos uma capacitação básica para buscar uma nova oportunidade, seja dentro ou fora da companhia. É uma admissão sóbria de que a disrupção é inevitável.

O paliativo da requalificação

A abordagem de Fogel destoa tanto dos otimistas, que preveem um aumento de produtividade sem cortes, quanto dos alarmistas, que projetam demissões em massa. Ele se posiciona em um meio-termo realista: a mudança virá, e cabe às empresas gerenciar a transição. A iniciativa da Booking é um reconhecimento de que a responsabilidade pela adaptação não é apenas do indivíduo. É um paliativo corporativo para as “águas turbulentas” que o próprio CEO antecipa, um investimento no capital humano mesmo que seu futuro seja em outro lugar.

Além do turismo

Fogel não limita sua análise ao setor de viagens. Ao citar que bancos de investimento poderão contratar significativamente menos analistas de nível júnior no futuro, ele aponta para uma transformação estrutural no mercado de trabalho de colarinho-branco. Tarefas analíticas e repetitivas, que historicamente serviram como porta de entrada para muitas carreiras em finanças e tecnologia, estão sendo rapidamente absorvidas por ferramentas de IA generativa. O alerta ecoa em mercados como o brasileiro, onde esses setores são grandes empregadores de mão de obra qualificada.

A questão que permanece é se a “alfabetização” em IA será suficiente para criar novas funções na mesma velocidade em que as antigas desaparecem. A fala de Fogel sugere ceticismo. Mais do que uma solução, sua estratégia parece ser uma preparação para o impacto, um estudo de caso sobre como as corporações começam a navegar a era da IA: com um misto de responsabilidade social e aceitação fria da disrupção.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider