A presidente da Confederação Espanhola da Pequena e Média Empresa (Cepyme), Ángela de Miguel, manifestou oposição à greve geral convocada por sindicatos como CCOO, UGT e o Sindicato de Inquilinas, que visa protestar contra a crise habitacional na Espanha. Segundo De Miguel, os pequenos e médios empresários não possuem a capacidade nem a prerrogativa para solucionar um problema tão complexo, que afeta toda a sociedade.

Em declarações à TVE, a dirigente patronal ressaltou que a responsabilidade pela resolução da crise de moradia recai sobre as administrações públicas. "Um pequeno ateliê em Lorca, um padeiro em Villanueva de la Serena ou um produtor em Padrón não têm nenhuma competência sobre a moradia nem nenhuma solução que possamos ajudar a resolver", argumentou, criticando a atribuição de responsabilidade às empresas por um assunto em que estas não têm "margem de manobra". A Cepyme alerta que a greve "vai causar um problema maior" aos empresários.

O peso da greve para o pequeno empresário

De Miguel enfatizou que os pequenos empresários são cidadãos que, assim como o restante da população, enfrentam dificuldades no acesso ao mercado residencial. Ela mencionou que muitos autônomos e pequenos empresários têm rendimentos inferiores a 2.000 euros mensais, o que torna inviável lidar com os altos custos de moradia. "Não podemos enfrentar dois blocos de pessoas ou de cidadãos espanhóis que estamos todos na mesma situação", defendeu a presidente da Cepyme. Ela reiterou a necessidade de "políticas de Estado" consensuais por parte dos poderes públicos para abordar a questão.

Salários e poder de compra sob pressão

Questionada sobre se os salários atuais são suficientes para arcar com o custo da moradia, De Miguel apontou que a situação varia conforme a região da Espanha. No entanto, garantiu que as empresas estão comprometidas em aumentar as remunerações acima da inflação (IPC). Ela argumentou que o encarecimento descontrolado da habitação não é resultado das decisões salariais dos negócios, mas sim da pressão fiscal e do aumento de impostos. "A OCDE já disse que a Espanha está entre os dez países do mundo onde mais impostos se pagam por trabalhar", destacou, sugerindo que a menor renda disponível das famílias se deve a políticas que reduzem a capacidade de gasto da cidadania, e não à estagnação salarial.

A raiz do problema: falta de oferta

A presidente da Cepyme reforçou que a origem da crise imobiliária é um "problema muito sério de falta de oferta". Atualmente, há 1,2 milhão de lares a mais na Espanha sem que a construção de moradias tenha acompanhado essa demanda, especialmente nas áreas urbanas de maior interesse. "É verdade que há moradia vazia em algumas zonas do interior da Espanha, mas as pessoas querem ir morar nas grandes cidades. Há um problema de oferta e demanda que nos afeta a todos os cidadãos igualmente, sejamos aposentados, trabalhadores ou empresários", concluiu, clamando por "políticas públicas sérias de habitação" para reverter o quadro.

O cenário para as microempresas, que compõem 94% do tecido empresarial espanhol com menos de dez funcionários, é particularmente desafiador, marcado pela escalada de custos e tributos. A Cepyme insiste que a solução para a crise habitacional passa, impreterivelmente, pela atuação do Estado e pela implementação de políticas que aumentem a oferta de imóveis, em vez de penalizar o setor produtivo com paralisações. A entidade patronal busca um diálogo construtivo para encontrar caminhos que beneficiem tanto os cidadãos quanto os negócios.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España