Setembro de 2026 marcou um salto significativo na atividade cibernética global, com as organizações sofrendo uma média de 2.803 ataques semanais, um aumento de 16% em relação a agosto e de 48% comparado a setembro do ano anterior. Essa escalada, que eleva o número de ataques em 36% em apenas cinco meses, sinaliza uma tendência preocupante de intensificação da pressão cibernética em múltiplas frentes. A proliferação do phishing, o uso cada vez mais disseminado da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) e a consequente exposição de dados sensíveis, juntamente com a persistência do ransomware, reforçam a necessidade de estratégias de prevenção robustas e proativas.

Setores sob ataque: educação na linha de frente

O setor da educação emergiu como o mais visado em setembro, com uma média de 6.656 ataques semanais por organização. Esse número representa um aumento de 59% em relação ao ano anterior e de 24% em relação a agosto, coincidindo com o início do ano letivo e o retorno de alunos, professores e funcionários às redes institucionais. A complexidade dos ambientes digitais educacionais, que envolvem um grande número de usuários e dispositivos, torna-os alvos atrativos. Em segundo lugar no ranking de ataques está o setor de telecomunicações, com 3.483 incidentes semanais por organização, um aumento de 29% em relação ao ano anterior. O setor governamental fecha o pódio, com 3.443 ataques semanais e um crescimento de 37%, demonstrando a pressão constante sobre serviços essenciais e infraestruturas críticas.

América Latina lidera volume, Europa em crescimento acelerado

Regionalmente, a América Latina registrou o maior volume de ataques em setembro, com uma média de 3.813 incidentes semanais por organização, um aumento de 35% em relação ao ano anterior. A África seguiu de perto com 3.701 ataques semanais, e a região Ásia-Pacífico com 3.593. No entanto, a Europa apresentou a taxa de crescimento mais alarmante, com um aumento de 61% nos ataques em comparação com setembro de 2025, sinalizando um ambiente de ameaças em rápida deterioração para as empresas europeias. A América do Norte também observou um aumento expressivo de 50% em relação ao ano anterior. Esses dados indicam que, embora algumas regiões apresentem maior volume, o crescimento mais rápido em outras pode prenunciar futuras ondas de ataques.

GenAI: o novo vetor de risco para dados sensíveis

O uso crescente da GenAI no ambiente corporativo trouxe consigo novos e significativos riscos. Em setembro, 1 em cada 39 solicitações de GenAI corporativo apresentava alto risco de vazamento de dados sensíveis, afetando 89% das organizações que utilizam essas ferramentas regularmente. Adicionalmente, 14% das solicitações continham informações potencialmente sensíveis, elevando a preocupação com a governança de dados. O usuário médio gerou 131 solicitações em setembro, e cada organização utilizou em média oito ferramentas de GenAI. A América Latina liderou as taxas de alerta de alto risco, com 4% das solicitações (1 em 25), acima da média global de 2,5%. Setores como Serviços Empresariais (4,9%), Serviços Financeiros (4,1%) e Saúde (3,5%) são os mais expostos, dada a natureza das informações que processam rotineiramente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside