Cinco grandes instituições financeiras iniciaram a cobertura das ações da Compass com recomendação de compra, sinalizando otimismo em relação aos fundamentos da companhia pouco mais de um mês após a conclusão de seu IPO. Os preços-alvo estabelecidos pelos analistas variam entre R$ 34 e R$ 38, representando um potencial de valorização expressivo em comparação ao preço atual de tela, que gira em torno de R$ 25,50.
O movimento coordenado de início de cobertura ocorre simultaneamente ao fim do período de restrição imposto aos bancos que atuaram na oferta pública da empresa. O consenso entre as instituições destaca a combinação estratégica entre a estabilidade operacional das concessões de distribuição de gás e a opcionalidade de crescimento oferecida pela Edge, braço de comercialização e infraestrutura de GNL da companhia.
A tese da estabilidade regulada
A estrutura de negócios da Compass é dividida entre concessões de distribuição de gás no Sudeste e a operação da Edge, que concentra o terminal de regaseificação e ativos de biometano. Para o mercado, o braço de distribuição funciona como um porto seguro, oferecendo proteção contra a inflação e previsibilidade de fluxo de caixa, elementos essenciais para atravessar ciclos econômicos voláteis.
Analistas enfatizam que, embora o negócio de distribuição seja caracterizado por uma operação de baixa volatilidade, essa previsibilidade é o pilar que sustenta o perfil de dividendos da companhia. A expansão da base de ativos regulados (RAB) garante um crescimento gradual e contínuo, blindando a empresa contra choques externos e conferindo uma resiliência que atrai investidores institucionais focados em renda.
O papel estratégico da Edge
O otimismo dos bancos, especialmente do Citi, recai sobre a Edge, considerada a principal avenida de crescimento da Compass. A unidade opera um terminal de GNL em São Paulo com capacidade de 14 milhões de m³ por dia, ativo que confere à empresa uma vantagem competitiva em um mercado brasileiro ainda carente de infraestrutura logística de grande porte.
O Citi aponta que o mercado estaria precificando a Edge com um desconto excessivo, atribuindo apenas uma fração do seu valor justo. A expectativa é que a execução estratégica da comercialização de gás, aliada à inteligência de mercado proporcionada pelo terminal, gere oportunidades de arbitragem comercial capazes de destravar valor significativo nos próximos anos.
Riscos e implicações setoriais
Apesar da visão positiva, o setor de gás natural no Brasil não está isento de desafios estruturais. Instituições como o Bradesco BBI alertam para riscos que incluem a concorrência crescente da Petrobras, possíveis alterações no cenário regulatório pós-eleições e a necessidade de renovação de contratos de suprimento de GNL de longo prazo, como o firmado com a Total.
Além disso, a transição energética e a competição com outras fontes de energia permanecem como variáveis de monitoramento constante. A alavancagem da companhia, atualmente em 2,2x dívida líquida sobre EBITDA, é vista como confortável, permitindo que a Compass mantenha planos de expansão de volume de comercialização de 6 milhões para 22 milhões de m³ por dia até 2030.
Perspectivas para o investidor
O mercado aguarda agora a confirmação da tese de valorização ao longo dos próximos trimestres, observando de perto a execução da estratégia de comercialização e a disciplina de alocação de capital. A capacidade da empresa de equilibrar a geração de caixa das distribuidoras com os investimentos necessários na Edge será determinante para a sustentabilidade da política de dividendos, estimada com um yield atrativo para o horizonte de 2027 e 2028.
A trajetória da Compass na Bolsa, onde a Cosan detém 76% do capital, servirá como um termômetro para o apetite do investidor por ativos de infraestrutura energética no Brasil. A questão central permanece se a precificação atual reflete apenas a cautela com o setor ou se há, de fato, uma oportunidade de arbitragem subestimada pelo mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





