A recente alta de 40% nas ações da Hapvida (HAPV3) nas últimas duas semanas não foi suficiente para dissipar a cautela do banco Citi. Em uma revisão de suas projeções antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026, o Citi decidiu reduzir o preço-alvo da companhia para R$ 10 por ação. Além disso, o banco revisou para baixo as estimativas de lucro para 2026 e 2027, com cortes de 5% e 12%, respectivamente. Embora o Citi reconheça alguns fatores que poderiam manter o interesse dos investidores nos papéis, a análise indica que ainda não há sinais claros de uma recuperação iminente nos fundamentos da operadora de saúde.

Fundamentos sob pressão

O Citi sinaliza que os desafios operacionais da Hapvida devem continuar a pressionar os resultados no curto e médio prazo. Questões como perda de beneficiários, compressão de margens e a queima de caixa são pontos de atenção. "Continuamos sem enxergar sinais iminentes de uma inflexão nos fundamentos", afirmam os analistas em seu relatório. A operadora enfrenta um cenário complexo que exige atenção detalhada dos investidores, especialmente em relação à sua capacidade de reverter tendências negativas.

Potenciais catalisadores e riscos

Para o Citi, a Hapvida apresenta características que podem atrair investidores em busca de uma recuperação operacional. A alta alavancagem, com dívida representando cerca de 65% do valor total da empresa, pode ser um ponto positivo se a companhia conseguir reduzir seu endividamento, ampliando o valor atribuído aos acionistas. A queda dos juros e dos spreads de crédito também é vista como um possível alívio para as despesas financeiras. O ambiente macroeconômico favorável e o avanço na venda de ativos também são mencionados como possíveis catalisadores de curto prazo. Contudo, o banco ressalta que a visibilidade sobre a evolução das operações permanece limitada.

Dificuldades no terceiro trimestre

A expectativa para o terceiro trimestre de 2026 é de que a Hapvida repita muitas das dificuldades observadas no trimestre anterior. A reestruturação de aproximadamente 1 milhão de clientes não rentáveis, que deve começar a ser implementada, tende a afetar o crescimento da receita e gerar custos de desmobilização concentrados no início do processo. O Citi projeta uma perda líquida de 91 mil beneficiários e um crescimento de receita de apenas 2,6% em base anual. A utilização sazonalmente mais alta dos serviços de saúde e os custos associados à reestruturação também devem impactar a rentabilidade, com uma estimativa de aumento de 0,8 ponto percentual na sinistralidade frente ao trimestre anterior, comprimindo a margem Ebitda ajustada para 5,9%. O banco espera que a companhia continue registrando prejuízo e um consumo recorrente de R$ 100 milhões em fluxo de caixa livre.

Alívio pontual e revisão de estimativas

Um ponto de alívio pontual para o resultado reportado deve vir da recompra de R$ 250 milhões em debêntures com um desconto de 23%. Essa operação, que permite à companhia recomprar a dívida por um valor inferior ao de referência, gera um ganho não recorrente. O Citi optou por deixar esse efeito fora de suas projeções por considerá-lo atípico. A revisão das estimativas de lucro incorpora expectativas mais fracas para receitas e margens, enquanto o corte do preço-alvo foi parcialmente mitigado pela redução do custo de capital próprio utilizado no modelo de avaliação do banco. O cenário para a Hapvida continua exigindo acompanhamento atento por parte do mercado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times