O Bradesco (BBDC4) viu suas ações saltarem 20% nos últimos dias, impulsionadas por uma movimentação conhecida no mercado como "trade Flávio". Agora, o UBS BB se junta ao JPMorgan ao elevar o preço-alvo do banco, fixando-o em R$ 28, o que representa uma projeção de valorização de 29% sobre o valor atual. A tese central do relatório do banco suíço aponta para a queda dos rendimentos dos títulos públicos, em um contexto de expectativas sobre um eventual cenário político pós-eleições, como um fator que pode reduzir o custo de capital do Bradesco e, consequentemente, impulsionar seus lucros no médio e longo prazo.
Em conversas com a diretoria de relações com investidores do banco, o UBS BB colheu impressões positivas. A administração reforçou que as tendências de negócios permanecem sólidas, mas destacou o potencial de uma conjuntura econômica mais favorável, com a perspectiva de juros mais baixos. Nesse cenário, dois gatilhos específicos foram identificados como capazes de impulsionar a rentabilidade: a melhora na gestão de ativos e passivos (ALM) em um ambiente de Selic em declínio e a normalização do custo do risco para a faixa de 3%. O UBS BB estima que esses fatores, combinados, poderiam destravar cerca de 100 pontos-base adicionais de rentabilidade ao longo do tempo, com os efeitos começando a se materializar a partir do segundo semestre de 2027.
Cenário Econômico e a Estratégia do Bradesco
A expectativa da administração do Bradesco é de que o Produto Interno Bruto (PIB) e o crédito bancário continuem a desacelerar nos próximos trimestres. Diante desse quadro, o banco deve manter uma postura moderada na concessão de crédito, priorizando a preservação do apetite por risco em meio à desaceleração da atividade econômica. A análise do UBS BB sugere que um ajuste na política econômica, com melhora fiscal e cortes nas taxas de juros após as eleições, aumenta a probabilidade de a economia atingir seu ponto mais baixo em meados de 2027, iniciando, a partir daí, uma recuperação mais robusta.
Otimização de Custos e Eficiência Operacional
O Bradesco também reiterou seu compromisso com o rigoroso controle das despesas operacionais, sem grandes preocupações imediatas e com um foco contínuo em iniciativas de eficiência. A estratégia de otimização da rede de agências segue em curso, com o banco esperando colher benefícios da racionalização de sua estrutura, sem comprometer investimentos em áreas consideradas estratégicas. Apesar de uma perspectiva de crescimento de receita ligeiramente mais lento no curto prazo, a administração demonstra confiança de que a relação custo/receita continuará em trajetória de queda.
Projeções para o Lucro e Qualidade dos Ativos
Os analistas do UBS BB projetam uma expansão dos lucros para o terceiro trimestre de 2026, sustentada por margens robustas com clientes e pelo controle disciplinado dos custos. No entanto, em relação à qualidade dos ativos, os indicadores de inadimplência podem permanecer sob pressão. Isso se deve, em parte, à menor originação de empréstimos no âmbito do Pronampe-FGO e aos efeitos temporários de operações vinculadas a esses programas que estão chegando ao vencimento.
Implicações para o Mercado e Investidores
A análise do UBS BB sugere um cenário promissor para o Bradesco, com potenciais ganhos de rentabilidade ancorados em melhorias operacionais e em um ambiente macroeconômico mais favorável. Para os investidores, a elevação do preço-alvo e a identificação desses gatilhos reforçam a tese de que o banco está bem posicionado para capturar valor em um ciclo de juros em queda. A gestão ativa de ativos e passivos e o controle de custos são elementos cruciais que podem diferenciar o Bradesco em um mercado competitivo.
Perguntas em Aberto e o Futuro Próximo
Embora os gatilhos identificados pelo UBS BB ofereçam um panorama otimista, algumas questões permanecem em aberto. A magnitude e a velocidade da recuperação econômica, bem como a eficácia das políticas fiscais pós-eleitorais, são fatores que demandarão acompanhamento atento. Além disso, a capacidade do Bradesco de navegar pelas pressões na qualidade dos ativos, especialmente em um contexto de desaceleração do crédito, será determinante para a concretização das projeções de lucro.
A análise do UBS BB traz elementos importantes para a discussão sobre o futuro do Bradesco, focando em fatores internos e externos que podem moldar sua rentabilidade. O cenário de juros mais baixos e a gestão eficiente de seus balanços são pontos de atenção para investidores e analistas. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





