A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde, sem restrições, para a aquisição da operadora de banda larga Desktop pela Claro. A operação, avaliada em R$ 4 bilhões, representa um dos movimentos de consolidação mais significativos do setor de telecomunicações nos últimos anos e estava sob escrutínio do mercado.
A transação redesenha o mapa da banda larga no estado de São Paulo, o mais competitivo do país. Com a compra, a Claro não apenas absorve 1,2 milhão de clientes, mas também acirra a disputa direta pela liderança com a Vivo. A leitura é que o Cade considerou a dinâmica do setor robusta o suficiente para absorver o impacto, apostando na rivalidade de outros players para manter o equilíbrio.
A lógica da competição
O parecer do Cade reconheceu a sobreposição de mercado em 198 municípios, onde a participação conjunta das empresas se tornará expressiva. Contudo, a análise do órgão concluiu que a probabilidade de um exercício de poder de mercado pela Claro é reduzida. A justificativa se ancora na existência de infraestrutura de redes concorrentes e na presença de outros provedores, tanto locais quanto nacionais, que garantiriam a contestabilidade do mercado.
Essa aprovação é ainda mais notável quando se recorda que a Anatel, em análises preliminares no ano anterior, havia apontado potenciais efeitos negativos da transação. A decisão final favorável, tanto da agência reguladora quanto do órgão antitruste, sugere que as empresas foram eficazes em demonstrar que a concorrência não seria fatalmente ferida. A Claro deve assumir 73% da Desktop, comprando a fatia do fundo H.I.G. Capital e do fundador, com uma oferta futura pelos 27% restantes no mercado.
O xadrez da fibra em São Paulo
Estrategicamente, a aquisição é um movimento de força da Claro. Antes da compra, a empresa detinha 28,3% do mercado paulista, atrás da Vivo, com 31%. Ao incorporar os 7,6% da Desktop, a Claro não apenas fecha essa lacuna como pode assumir a liderança no estado. É a clássica estratégia de comprar crescimento e capilaridade em fibra óptica, em vez de construir do zero.
A operação também marca a fase final do ciclo de muitos provedores regionais que, como a Desktop, foram capitalizados por fundos de private equity para escalar agressivamente e, agora, se tornam alvos para as grandes incumbentes. A Desktop, fundada em 1997 e listada em bolsa em 2021, representa o auge desse modelo.
O sinal verde do Cade estabelece um precedente importante para futuras transações em um setor que segue em franca consolidação. A questão que fica é como os provedores de menor porte conseguirão competir nesse cenário de gigantes e qual será a resposta dos outros grandes players do mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





