José Seripieri Filho, o “Júnior da Amil”, decidiu que o nome da empresa ainda é seu melhor sobrenome. Em um comunicado interno aos 24 mil funcionários, o empresário informou o fim das negociações para a venda da companhia a um consórcio formado pela Advent e a Bain. A proposta na mesa, segundo reportagem do Brazil Journal, era de R$ 20 bilhões em valor de equity.

O movimento encerra um processo de cinco meses que evoluiu de uma busca por um sócio minoritário para uma venda de controle. A recusa, no entanto, parece menos sobre o valor e mais sobre o timing. A leitura é que Seripieri, que segundo fontes próximas nunca esteve totalmente convencido da venda, aposta que o valor real da Amil ainda está por ser destravado. O turnaround implementado desde que assumiu a operação reverteu um consumo de caixa de R$ 1,4 bilhão em 2023 para uma geração de R$ 2,6 bilhões este ano, com um EBITDA que saltou de R$ 2,6 bilhões negativos para R$ 2,7 bilhões positivos no mesmo período. Com esses números, qualquer oferta parece prematura.

O cálculo do valor futuro

A decisão de não vender não significa inércia. A Amil segue aberta à entrada de um sócio minoritário, mas com um propósito claro: financiar aquisições sem alavancar a companhia, uma posição defendida pelos sócios Alberto Bulus e a CFO Grace Tourinho. A estratégia indica um apetite por consolidação em um momento de fragilidade de players regionais de saúde, mas com disciplina de capital. O plano de fundo para todas as decisões, contudo, parece ser um eventual IPO.

As contas do mercado, segundo o Brazil Journal, justificam a paciência. Uma Amil listada em bolsa até 2027 poderia alcançar um valor de mercado de R$ 40 bilhões, aplicando-se um múltiplo de 10,5 vezes o EV/EBITDA — o dobro da oferta atual. Esse múltiplo, comparável à média histórica da Rede D'Or, seria sustentado por um crescimento robusto e pela percepção de que a reestruturação apenas começou. A primeira fase, de cortes e agressividade comercial, está feita. A próxima, de otimização de processos e tecnologia, é onde se encontra a maior parte da criação de valor.

Seripieri não está apenas segurando um ativo; está dobrando a aposta na própria capacidade de execução. A venda de R$ 20 bilhões seria a colheita do que já foi feito. A busca por um IPO de R$ 40 bilhões é a aposta no que ainda se pode construir.

Com reportagem de Brazil Valley

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