A XP Investimentos deu um voto de confiança à gestão do Fleury, mas com ressalvas importantes para o investidor. A corretora elevou o preço-alvo da ação (FLRY3) de R$ 18 para R$ 20 e aumentou em 12% suas projeções de lucro para a companhia em 2026 e 2027. A mudança vem na esteira de uma sequência de resultados acima do esperado.

O ponto central da análise, segundo relatório do Money Times, é uma mudança de percepção: o bom desempenho deixou de parecer um evento pontual e passou a ser visto como uma melhora estrutural. A tese é que o Fleury encontrou um caminho para crescer de forma orgânica e mais eficiente. Contudo, a recomendação para o papel permaneceu "neutra", indicando que, na visão da XP, a maior parte das boas notícias já está precificada na cotação atual.

A máquina por trás dos números

A revisão da XP se apoia em dois pilares. O primeiro é a capacidade do Fleury de acelerar o crescimento sem depender exclusivamente de aquisições. A análise aponta para uma utilização mais eficiente da capacidade instalada, um sinal de maturidade operacional. Este movimento é amparado por um cenário macroeconômico favorável, com o contínuo crescimento do número de beneficiários de planos de saúde no Brasil, o que naturalmente expande o mercado endereçável da companhia.

O segundo pilar é a recente incorporação da Femme, rede de medicina diagnóstica focada no público feminino. A expectativa é que a adquirida adicione cerca de R$ 100 milhões em receita por trimestre. Com isso, a XP projeta um crescimento de receita total de 14,6% para o Fleury, sendo a maior parte (cerca de 11%) de origem orgânica — um número robusto para o setor.

O custo do crescimento

O otimismo, no entanto, não vem sem custos. A aquisição da Femme, embora estratégica para expandir a receita, deve pressionar as margens no curto prazo. Como a Femme opera com uma rentabilidade inferior à do grupo Fleury, a XP estima uma compressão na margem Ebitda consolidada, que pode recuar cerca de 70 pontos-base no terceiro trimestre de 2026, para 26,5%.

Essa pressão temporária na lucratividade ajuda a explicar a cautela da recomendação "neutra". O mercado parece entender que, embora a companhia esteja executando bem sua estratégia, a integração da nova operação e a própria valorização recente do papel limitam o potencial de alta. O novo preço-alvo, de R$ 20, representava, no momento da análise, uma leve desvalorização frente à cotação do dia.

Para o Fleury, o desafio é provar que a melhora operacional e o crescimento via aquisições podem, de fato, gerar valor acima do que o mercado já antecipa. A companhia se tornou uma das favoritas da XP no setor de saúde, ao lado de Rede D’Or e Dasa, mas a mensagem da corretora é clara: a execução está no caminho certo, mas a ação já não está barata.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados