O Santander está apostando contra o pessimismo do mercado em relação à Smart Fit. Em um relatório recente, o banco reiterou sua recomendação de "outperform" (equivalente à compra) para as ações da rede de academias, estabelecendo um preço-alvo de R$ 35 para o final de 2027. O valor implica um potencial de valorização de 98% sobre o fechamento recente, um sinal de forte convicção na tese.

A análise, repercutida pelo Money Times, desafia a narrativa de que um ritmo mais lento de abertura de unidades sinaliza o fim da história de crescimento da companhia. Para o Santander, o mercado está com o foco no lugar errado. A verdadeira alavanca de valor não estaria mais na expansão acelerada, mas na maturação dos ativos existentes, na disciplina de capital e, principalmente, no crescimento da plataforma TotalPass.

A tese do capital disciplinado

O argumento central do banco é que uma expansão mais contida não é um problema, mas uma virtude. Um ritmo de aberturas mais disciplinado permite à Smart Fit reduzir seus investimentos (capex), o que, por sua vez, acelera a desalavancagem do balanço e turbina a geração de fluxo de caixa livre. Em outras palavras: menos canteiros de obras podem significar mais dinheiro no bolso do acionista.

Segundo os analistas, o mercado pode estar superestimando o impacto de menos inaugurações no crescimento dos resultados, ao mesmo tempo que subestima os benefícios dessa estratégia para a criação de valor. O banco calcula que, mesmo em cenários de expansão mais lenta, a companhia ainda pode entregar uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 30% no lucro por ação ajustado entre 2025 e 2028.

A joia da coroa: TotalPass

O outro pilar da tese otimista é a TotalPass, a plataforma de benefícios corporativos de bem-estar do grupo. O Santander vê um potencial ainda inexplorado no avanço da plataforma sobre o setor público, um mercado com cerca de 15,3 milhões de funcionários e salários, em média, 50% superiores aos do setor privado.

Esta incursão poderia representar, em estimativas preliminares, uma receita incremental de R$ 200 milhões. Crucialmente, o banco afirma que essa oportunidade não está incorporada em suas projeções atuais, tratando-a como uma fonte adicional de alta para o papel. A TotalPass, portanto, deixa de ser um mero coadjuvante para se tornar uma das principais avenidas de crescimento.

A questão para o investidor é se o mercado passará a precificar a Smart Fit como uma empresa em maturação e geradora de caixa, e não mais apenas como uma tese de expansão. O Santander já fez sua aposta. A ver se os fatos seguirão o relatório.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times