A Claro NXT Telecomunicações oficializou a aquisição de 72,83% do capital social da Desktop (DESK3), em uma transação avaliada em R$ 1,747 bilhão. O acordo, anunciado previamente em março de 2026, consolida a presença da Claro no mercado de provedores de internet e telecomunicações no Brasil, elevando-a à posição de acionista controladora da companhia.

A compra, que envolveu ações de antigos sócios como Makalu Brasil Partners e outros, foi fechada com o pagamento de R$ 1,619 bilhão no ato, com o restante retido em conta de garantia para ajustes de dívidas e indenizações. O preço por ação ficou em R$ 20,63, sujeito a essas correções. A Claro já indicou que protocolará na CVM um pedido de oferta pública de aquisição (OPA) para as ações remanescentes em circulação, um movimento padrão após a aquisição de controle, visando a totalidade do capital social.

Implicações para o Mercado de Telecom

A consolidação da Claro como acionista majoritária da Desktop representa um movimento estratégico significativo no já competitivo mercado de telecomunicações brasileiro. A Desktop, com sua base de clientes e infraestrutura, adiciona capilaridade à Claro, especialmente em regiões onde a operadora já possui forte presença ou busca expandir sua cobertura de banda larga fixa. A sinergia entre as operações pode otimizar custos e melhorar a oferta de serviços, tanto para clientes residenciais quanto empresariais.

A possibilidade de a Claro realizar uma OPA para adquirir a totalidade das ações e, posteriormente, avaliar a saída voluntária da Desktop do Novo Mercado, sugere uma integração mais profunda e uma potencial reestruturação. Isso pode significar uma unificação de marcas, plataformas tecnológicas e estratégias comerciais, visando maior eficiência e competitividade frente a rivais como Vivo, TIM e Oi.

Mudanças na Administração e Governança

Como era de se esperar em transações de aquisição de controle, a Desktop já anunciou mudanças imediatas em sua estrutura administrativa. A renúncia de três conselheiros e a nomeação de novos membros para o colegiado, além de alterações na diretoria executiva, com a eleição de Rodrigo Marques de Oliveira como CEO e Roberto Catalão Cardoso como CFO e IRO, sinalizam uma transição de gestão alinhada aos interesses da nova controladora. Essas mudanças são cruciais para implementar a visão estratégica da Claro e garantir a conformidade com as regulamentações.

A convocação de uma assembleia geral extraordinária para deliberar sobre a quitação de ex-administradores e a eleição de novos conselheiros reforça a necessidade de alinhar a governança corporativa da Desktop aos padrões da Claro. A transição de poder, embora possa gerar incertezas a curto prazo, visa estabelecer uma estrutura de liderança coesa e focada nos objetivos da aquisição.

Oferta Pública de Aquisição e Futuro da Desktop

A intenção da Claro NXT de protocolar uma OPA para a aquisição de todas as ações em circulação é um passo regulatório essencial. Este movimento garante que todos os acionistas minoritários tenham a oportunidade de vender suas participações sob condições equitativas, conforme estabelecido pelas normas da CVM para alienação de controle. A subsequente avaliação sobre a conversão do registro da Desktop na CVM e a potencial saída do Novo Mercado indica que a Claro pode buscar uma simplificação societária.

Contudo, a Claro ressalta que a condução dessas etapas posteriores não é garantida, podendo optar por manter a Desktop como uma entidade listada, embora sob controle absoluto. A decisão final dependerá de análises estratégicas e de mercado que a Claro realizará nos próximos meses, ponderando os benefícios de uma integração total versus a manutenção de certas estruturas existentes.

Cenário Competitivo e Conexão com o Ecossistema Brasileiro

A aquisição da Desktop pela Claro se insere em um contexto de intensa disputa por mercado no setor de telecomunicações brasileiro, impulsionada pela expansão da fibra óptica e pela crescente demanda por conectividade de alta velocidade. A Claro, ao fortalecer seu portfólio com a infraestrutura da Desktop, posiciona-se para atender a um público mais amplo e diversificado, desde grandes centros urbanos até localidades com menor densidade populacional.

Para o ecossistema de tecnologia e telecomunicações no Brasil, a operação sinaliza a contínua tendência de consolidação, onde grandes players adquirem empresas menores para ganhar escala e eficiência. Isso pode pressionar concorrentes a buscarem parcerias ou fusões para se manterem competitivos, alterando o panorama do setor. A regulamentação da CVM e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) desempenhará um papel crucial na supervisão dessas movimentações, garantindo a saúde da concorrência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times