No burburinho digital, onde tendências surgem e desaparecem com a velocidade de um scroll, uma marca de artigos de couro que parecia ter ficado para trás ressurgiu com força total: a Coach. Não se trata de um retorno triunfal a um passado glorioso, mas de uma reinvenção calculada, um abraço estratégico à Geração Z que está redefinindo o significado de luxo acessível e desejo de consumo. A Tapestry, conglomerado que detém a Coach e a Kate Spade, divulgou resultados que evidenciam essa mudança sísmica: 2,6 milhões de novos consumidores no último trimestre, com 35% pertencentes à Geração Z. Um feito que impulsionou a receita ajustada em 12%, superando as expectativas do mercado, e que tem a Coach como principal motor, com um crescimento de 16% em moeda constante, enquanto a Kate Spade enfrentou uma queda de 10%.

O sucesso da Coach não se deve a um mero acaso. É o resultado de uma estratégia de marketing afiada, que soube identificar e dialogar com os anseios de um público jovem e conectado. A marca apostou em parcerias com figuras culturalmente relevantes para a Geração Z: a atriz Elle Fanning, a cantora sul-africana Tyla e a rapper sul-coreana Jeon So-yeon. Essas colaborações transcenderam o mero endosso, imergindo a Coach no universo das redes sociais, especialmente no TikTok. Vídeos com centenas de milhares de visualizações mostram criadores de conteúdo exibindo suas bolsas Coach, elogiando a qualidade e o preço, e até mesmo compartilhando dicas de modelos e tamanhos. A autenticidade dessas interações, muitas vezes protagonizadas por associados de vendas que se tornaram viral ao mostrar seus produtos favoritos, gerou um buzz orgânico que o marketing tradicional dificilmente conseguiria replicar.

Essa abordagem, descrita pela CEO da Tapestry, Joanne Crevoiserat, como parte da estratégia "Amplify", foca em "trazer novos consumidores para nossas marcas através de nossa combinação distintiva de criatividade, artesanato e valor". A narrativa da Coach parece ter ressoado profundamente com a Geração Z, que busca não apenas produtos, mas experiências e marcas com as quais se identifiquem. A elevação dos preços médios das bolsas, acompanhada por um ligeiro aumento no volume de vendas, sugere que o consumidor jovem está disposto a investir em peças que percebe como de "alto luxo" por um valor acessível. Essa percepção de valor é o cerne da nova identidade da Coach, posicionando-a como uma porta de entrada para o mundo do luxo, sem a exclusividade e o preço proibitivo de outras grifes.

O movimento da Coach é um estudo de caso fascinante sobre como marcas estabelecidas podem se reinventar para capturar a atenção de novas gerações. Ao abraçar a cultura digital, colaborar com influenciadores autênticos e manter um foco inabalável no valor percebido, a Coach não apenas evitou o esquecimento, mas se estabeleceu como um ícone de estilo para a Geração Z. A questão que paira agora é: até onde essa estratégia de rejuvenescimento poderá levar a marca, e quais outros legados do passado serão resgatados e reinterpretados para o futuro do consumo?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company