Apesar de um cenário econômico desafiador, marcado pelo aumento de impostos sobre bebidas açucaradas e pela cautela dos consumidores mexicanos, a Coca-Cola Femsa conseguiu não apenas manter, mas também expandir suas vendas no México e na América Central. No terceiro trimestre de 2026, a companhia reportou um crescimento de 8,3% em sua receita, evidenciando uma estratégia de gestão de preços e de custos eficaz em um mercado cada vez mais sensível ao bolso.

Contexto da Pressão Fiscal

O ambiente de negócios no México apresentou obstáculos significativos para o setor de bebidas. A elevação do Imposto Especial sobre Produção e Serviços (IEPS) para bebidas com açúcares adicionados, que saltou de 1,64 para 3,0818 pesos por litro, e a introdução de uma taxa de 1,50 pesos por litro para bebidas com edulcorantes (incluindo opções light e zero), impactaram diretamente os preços finais ao consumidor. Essa medida fiscal visava desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde, mas também pressionou o orçamento das famílias, que passaram a buscar alternativas mais econômicas, muitas vezes no comércio tradicional.

A Estratégia de Resiliência da Femsa

Diante desse cenário, a Coca-Cola Femsa respondeu com uma estratégia de gestão de receitas focada em manter a competitividade. A companhia combinou ajustes de preços com iniciativas comerciais que permitiram uma melhora sequencial nos resultados ao longo do trimestre. Ian Craig, Diretor Geral da Femsa, destacou que a empresa conseguiu manter uma "sólida posição competitiva" e impulsionar uma "melhora sequencial em nossos resultados, a pesar de um entorno de consumo que se manteve desafiador". Essa abordagem permitiu à Femsa não apenas mitigar os efeitos negativos da tributação, mas também continuar a ganhar participação de mercado.

Desempenho Consolidado e Regional

Em uma base consolidada, a Coca-Cola Femsa alcançou 79,718 bilhões de pesos em receita no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado pelo volume de vendas e pelas iniciativas de gestão de receita, apesar de efeitos cambiais desfavoráveis que reduziram o crescimento em 0,4 pontos percentuais. A lucratividade também apresentou melhora, com a utilidade de operação crescendo 15,4%, beneficiada por eficiências em tecnologias de informação e custos de aluguel, que ajudaram a compensar o aumento nos custos de frete, marketing e mão de obra. A utilidade líquida aumentou 5,5%. A América do Sul, especialmente Brasil e Colômbia, também contribuiu significativamente para os resultados, com crescimento de dois dígitos na utilidade de operação, impulsionado pela transformação digital e um portfólio diversificado.

Implicações e o Futuro

A performance da Coca-Cola Femsa no México sugere que, mesmo diante de pressões fiscais e econômicas, estratégias bem definidas de precificação e controle de custos podem garantir a resiliência e o crescimento. A capacidade da empresa de se adaptar às mudanças regulatórias e às preferências do consumidor, sem sacrificar a rentabilidade, é um indicativo de sua força no mercado. O sucesso regional, especialmente no Brasil, reforça a diversificação geográfica como um pilar de estabilidade. O desafio futuro será manter essa trajetória em um ambiente global que continua incerto, com potenciais novas regulamentações e volatilidade econômica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX