A fabricante de lasers de femtossegundo LITILIT, sediada em Vilnius, na Lituânia, assegurou um empréstimo de €8 milhões do banco de desenvolvimento nacional ILTE. O capital será destinado ao desenvolvimento de um novo sistema modular de laser para aplicações industriais, batizado de FEMODA, em um projeto com valor total de €10 milhões, com a empresa aportando os €2 milhões restantes.

A movimentação é estratégica e busca resolver uma das principais dores da fotônica avançada: tirar os lasers de femtossegundo — conhecidos por sua capacidade de “ablação a frio”, que processa materiais sem danificar a estrutura ao redor — do ambiente controlado de laboratórios e nichos de altíssimo valor, como cirurgias oculares e fabricação de chips, e torná-los ferramentas robustas para o chão de fábrica.

A dor da complexidade

Atualmente, a adoção de sistemas de laser de femtossegundo em larga escala é limitada por sua complexidade e pelos requisitos de infraestrutura. Segundo Nikolajus Gavrilinas, CEO da LITILIT, os sistemas existentes demandam refrigeração a água com circuitos dedicados, módulos ópticos pesados e ambientes com temperatura controlada. “Tudo isso adiciona complexidade e limita onde os lasers podem ser usados”, afirmou Gavrilinas na reportagem original.

O projeto FEMODA ataca diretamente esse problema. A proposta é integrar a eletrônica de controle, a óptica e o sistema de refrigeração em uma única unidade industrial, menos sensível a variações de temperatura, umidade e vibração. A modularidade é outro pilar: em caso de falha, apenas o módulo defeituoso precisa ser substituído, não o sistema inteiro, reduzindo custos e tempo de inatividade.

Da cirurgia ocular à carroceria

Com um sistema mais simples e resiliente, a LITILIT planeja expandir drasticamente o mercado endereçável. A meta é sair da produção de “pequenas peças de alto valor” para viabilizar “a produção em massa de ferramentas de metal e a formação de revestimentos especializados em grandes superfícies, como carrocerias de carros ou aeronaves”, explicou o CEO. A plataforma FEMODA terá uma potência óptica de até 1.000 W, distribuída por 10 a 20 canais de feixe separados.

A ambição tecnológica é acompanhada por um plano de escala industrial. A LITILIT já iniciou a construção de uma nova fábrica em Vilnius com capacidade para produzir 3.000 lasers de femtossegundo por ano. O desenvolvimento do FEMODA começou em 2024, e a comercialização está prevista para o segundo semestre de 2029, indicando uma aposta de longo prazo em deep tech.

O financiamento via dívida, originado de um banco de desenvolvimento, sinaliza o caráter estratégico do projeto não apenas para a empresa, mas para o ecossistema tecnológico da Lituânia. O desafio da LITILIT agora é duplo: entregar a promessa técnica e, em seguida, evangelizar indústrias tradicionais sobre os benefícios de uma tecnologia de fronteira, mesmo que empacotada de forma mais acessível.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ArcticStartup