Três estudantes de ensino médio nos Estados Unidos receberam o prêmio IEEE Presidents’ Scholarship por desenvolverem tecnologias assistivas de alto impacto e baixo custo. As inovações, apresentadas na feira internacional de ciência e engenharia Regeneron (ISEF), abordam desafios de mobilidade e autonomia para pessoas com deficiência.

Mais do que demonstrações de talento técnico, os projetos sinalizam uma abordagem à engenharia fundamentada na empatia e na acessibilidade. Hollie Tang, Partap Sidhum e Calvin Shang Hung criaram soluções que utilizam componentes acessíveis e partem de observações diretas das necessidades dos usuários, um contraponto ao ciclo de desenvolvimento de produtos caros e complexos de grandes corporações.

A engenharia da empatia

A vencedora do prêmio principal, Hollie Tang, recebeu US$ 10.000 por seu projeto "Tonguage". Trata-se de uma interface homem-máquina que usa uma câmera de laptop comum para traduzir movimentos da língua e piscadas de olhos em comandos digitais. O sistema permite controlar desde um cursor de computador até uma cadeira de rodas.

A acessibilidade foi o pilar do projeto. Tang desenhou a solução para funcionar com hardware amplamente disponível, evitando custos elevados. Sua motivação foi ampliada após uma visita a um centro de reabilitação. "Incluir empatia em sua solução tecnológica é muito importante", afirmou Tang, segundo a reportagem da IEEE Spectrum. Ela percebeu que a autonomia vai além de tarefas básicas, incluindo o direito ao lazer, como jogar videogame.

Do cérebro ao movimento

O segundo lugar, Partap Sidhum, desenvolveu o "NeuroGait", um exoesqueleto para membros inferiores controlado pela mente. Inspirado pelas dificuldades de locomoção que testemunhou em um centro comunitário sem elevadores, Sidhum criou um sistema que lê os sinais elétricos do cérebro que precedem um movimento voluntário.

Utilizando um headset de eletroencefalograma (EEG) e uma rede neural, o sistema comanda um exoesqueleto impresso em 3D. A inovação está nos "músculos artificiais pneumáticos", que imitam a anatomia humana e oferecem maior flexibilidade que motores rígidos. O terceiro premiado, Calvin Shang Hung, foi reconhecido por um robô para terrenos acidentados.

Esses projetos, nascidos em feiras de ciências e não em laboratórios de P&D bilionários, sugerem um caminho promissor. A próxima geração de inovadores parece entender que a tecnologia mais poderosa não é necessariamente a mais complexa, mas aquela que resolve problemas reais de forma acessível e humana.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · IEEE Spectrum