O sistema de navegação aérea do México enfrenta um momento de tensão extrema, com controladores ameaçando uma greve sem precedentes em um momento crítico para a infraestrutura do país. Segundo reportagem da Expansión, o Sindicato Nacional de Controladores de Tránsito Aéreo (Sinacta) aponta um déficit de 520 profissionais, o que força a equipe atual de mil controladores a dobrar ou triplicar turnos para manter as operações em funcionamento.
A situação é agravada pela proximidade da Copa do Mundo, que deve trazer mais de 5 milhões de turistas ao país. Alfredo Covarrubias, secretário-geral do Sinacta, afirma que a falta de pessoal já levou o sistema a patamares de alerta preocupantes, com trabalhadores cumprindo jornadas contínuas de mais de 24 horas, o que compromete a segurança operacional e aumenta o risco de falhas humanas.
Pressão operacional e infraestrutura
A estrutura de controle aéreo mexicano tem sido pressionada por uma expansão aeroportuária que não foi acompanhada pelo crescimento da força de trabalho. O problema, segundo o sindicato, é sistêmico e atinge desde o Aeroporto Internacional da Cidade do México (AICM) até terminais menores, como Puerto Vallarta e Los Cabos, onde a ausência de apenas um profissional pode paralisar a operação de toda a unidade.
Historicamente, a profissão exige níveis rigorosos de concentração, monitorando simultaneamente rotas, condições meteorológicas e separação entre aeronaves. O desgaste acumulado pela exaustão física e mental é visto pelos especialistas como um fator de risco direto. A preocupação do sindicato é que a responsabilidade por eventuais incidentes seja transferida individualmente para os controladores, ignorando a falha estrutural de gestão que impede a contratação de novos quadros.
Riscos de segurança e precedentes
A memória de incidentes internacionais e locais alimenta o receio do setor. Em janeiro de 2025, um choque fatal em Washington, que deixou 67 mortos, foi associado a um controlador que acumulava funções em múltiplas posições. Embora o México não tenha registrado tragédias fatais recentes, episódios como o quase incidente de 2022 no AICM, envolvendo duas aeronaves em pista, servem como alerta para a fragilidade do sistema atual.
As negociações entre o Sinacta e as autoridades, incluindo a Secretaria de Infraestrutura, Comunicaciones y Transportes (SICT), permanecem estagnadas. A falta de recursos e a lentidão nas decisões administrativas impedem que o quadro operacional seja fortalecido, criando um gargalo que pode afetar a eficiência do transporte aéreo em um período de alta demanda turística.
Desincentivos e regulação
Além da carga de trabalho, novas exigências regulatórias para a homologação de padrões internacionais de segurança criaram custos adicionais para os controladores. A obrigatoriedade de exames médicos e revalidação de licenças, que agora exigem pagamentos a laboratórios particulares e à direção de medicina de transporte, tem desestimulado a permanência e a entrada de novos profissionais no setor.
Essa dinâmica cria um ciclo vicioso: a exigência de maior qualificação técnica ocorre em um ambiente de precarização laboral. O resultado é um sistema que tenta se modernizar tecnologicamente enquanto falha em manter a integridade básica de sua força de trabalho, colocando em risco a viabilidade das operações aéreas nacionais.
Perspectivas de um sistema sob estresse
O futuro próximo permanece incerto enquanto o sindicato busca formalizar o processo de greve junto ao Tribunal Federal de Conciliación y Arbitraje. A possibilidade de uma paralisação inédita coloca as autoridades aeronáuticas contra a parede, forçando uma definição sobre a contratação de pessoal e a revisão das condições de trabalho.
A capacidade do governo mexicano em resolver esse impasse sem comprometer a segurança ou a infraestrutura turística será o principal teste para o setor nos próximos meses. O desenrolar dessa negociação definirá se o sistema conseguirá absorver o aumento de tráfego esperado ou se a exaustão dos controladores levará a uma crise operacional de grandes proporções.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





