A indústria têxtil espanhola, um dos pilares manufatureiros da Europa, soou o alarme. O Consejo Intertextil Español (CIE) alertou que a escalada nos preços de energia deixou de ser uma flutuação de mercado para se tornar uma “ameaça sustentada” à competitividade do setor.
Segundo a entidade, em comunicado reportado pela Forbes Espanha, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio e as restrições logísticas no Estreito de Ormuz criam uma pressão contínua sobre os custos. A leitura é que o caso espanhol serve como um termômetro para os desafios que indústrias de uso intensivo de energia enfrentam em todo o continente — e acende um sinal de alerta para mercados como o Brasil.
A trama dos custos de produção
A vulnerabilidade do setor têxtil não é acidental. Processos cruciais como fiação, tecelagem e malharia são eletrointensivos, enquanto etapas de acabamento, como tingimento e secagem, dependem massivamente de gás e energia térmica. Essa dependência transforma a volatilidade dos preços energéticos em um risco operacional direto.
O CIE destaca que a fatura de energia é apenas o primeiro elo de uma reação em cadeia. O encarecimento se propaga para matérias-primas, produtos químicos, embalagens e transporte, comprimindo margens e elevando o custo final de produção. Para uma indústria que compete globalmente, qualquer desvantagem de custo estrutural pode ser fatal.
O cobertor curto das políticas públicas
A crítica da associação industrial mira também a resposta governamental. As medidas de auxílio implementadas pelo governo espanhol foram desenhadas sob a premissa de que a crise energética seria temporária. A realidade, no entanto, se provou mais complexa, tornando o apoio insuficiente.
Diante disso, o setor pleiteia uma solução mais robusta e permanente: a criação de um "Estatuto do consumidor gasintensivo", um mecanismo legal que reconheça as particularidades das indústrias com alta dependência de gás, similar ao que já existe para grandes consumidores de eletricidade. O pedido sinaliza que a indústria não busca apenas um alívio pontual, mas uma previsibilidade regulatória para sobreviver.
O episódio espanhol é um microcosmo do dilema europeu: como conciliar a reindustrialização e a soberania produtiva com uma matriz energética cara e volátil. A pressão sobre a indústria têxtil expõe a fragilidade de cadeias produtivas tradicionais em um cenário de custos crescentes e competição global acirrada. Para o Brasil, onde os custos de energia também são um fator crítico, a experiência europeia serve como um estudo de caso sobre a importância de políticas energéticas estratégicas para a competitividade industrial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





