A empresa espanhola Acesur, dona de marcas como La Española e Coosur, iniciou a construção de um projeto pioneiro de energia agrivoltaica em Vilches, na província de Jaén, o coração da produção de azeite do país. A iniciativa combina, no mesmo terreno, o cultivo de oliveiras com a geração de energia solar.
Segundo reportagem do site espanhol Xataka, a inovação busca resolver um conflito crescente pelo uso da terra entre agricultores e desenvolvedores de usinas solares. A leitura aqui é que, ao invés de uma escolha excludente entre alimento e energia, é possível otimizar o solo para produzir ambos — um modelo com potencial para o agronegócio global.
A arquitetura do possível
O segredo do projeto está na altura. Mais de 5.150 painéis fotovoltaicos foram instalados a mais de quatro metros do solo, criando um dossel tecnológico sobre um olival tradicional. Essa estrutura elevada permite que as colheitadeiras, máquinas que podem atingir 3,5 metros, continuem operando normalmente entre as fileiras de árvores para a colheita das azeitonas.
A energia gerada, com potência de 3,65 MWp, abastecerá a fábrica de envase da própria Acesur, localizada ao lado da plantação. Um sistema de baterias de 3 MWh garantirá o fornecimento contínuo, reduzindo a dependência da rede elétrica e a volatilidade dos preços. Trata-se de uma solução verticalizada, onde a mesma terra que fornece a matéria-prima também gera a energia para processá-la.
Um laboratório a céu aberto
O projeto não é apenas comercial; é um experimento em escala real. Cerca de 20% da área de cinco hectares foi deixada sem cobertura para servir de grupo de controle. A Universidade de Jaén monitorará os resultados, comparando a produtividade, o estresse hídrico e a saúde das árvores que crescem sob os painéis com aquelas totalmente expostas ao sol.
A iniciativa oferece uma alternativa técnica e financeiramente mais complexa, mas estratégica, para uma polêmica local. Em outras partes da província, a instalação de fazendas solares exigiu a remoção de olivais, gerando disputas judiciais. O modelo de Vilches, que recebeu um aporte de 2,8 milhões de euros de um fundo de incentivo do governo, propõe uma coexistência em vez de uma substituição.
A questão em aberto é se a sombra parcial dos painéis afetará a produtividade das oliveiras a longo prazo. Os modelos iniciais são otimistas, mas a resposta definitiva virá com as próximas colheitas. Se bem-sucedido, o experimento de Jaén poderá redefinir o debate sobre o uso da terra em um mundo que precisa, desesperadamente, de mais comida e mais energia limpa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





