Cristina Rey assumiu recentemente a liderança da WPP Media Iberia, em um momento de profunda transformação no setor de mídia e publicidade. Em entrevista à Forbes Espanha, a executiva defende que o verdadeiro valor da tecnologia, incluindo a inteligência artificial (IA) e a análise de dados, reside na sua combinação com conhecimento de negócio, talento e, fundamentalmente, critério humano. Para Rey, a mera posse de ferramentas tecnológicas não garante sucesso; o diferencial está na capacidade de interpretá-las e aplicá-las de forma estratégica.

O Desafio da Relevância em um Mundo Fragmentado

A executiva aponta que, enquanto o desafio passado era o acesso à informação, o cenário atual é marcado pela fragmentação, velocidade das mudanças e a pressão por resultados imediatos. Nesse contexto, a capacidade de interpretar dados e saber onde focar os esforços se torna crucial. Rey argumenta que a tecnologia, por si só, não cria vantagem competitiva. O que realmente importa é como as organizações decidem utilizá-la. As empresas que se destacam são aquelas que entendem a IA como uma capacidade transversal, capaz de aprimorar a colaboração, a análise de informações e a tomada de decisões. A IA pode multiplicar capacidades, mas seu valor se manifesta quando está a serviço das pessoas e do negócio, ajudando a simplificar a complexidade e a transformar oportunidades em crescimento.

Clareza e Critério Humano na Era da IA

Rey também aborda a questão da adaptação das equipes a um ambiente em constante mudança. Segundo ela, as pessoas não resistem à mudança em si, mas à incerteza. Um dos papéis centrais do líder é, portanto, prover clareza, explicando o propósito por trás das ações e engajando as equipes como parte da solução. Em um mundo cada vez mais guiado por dados e algoritmos, o critério humano permanece insubstituível. A IA pode analisar dados e identificar padrões com uma velocidade sem precedentes, mas as decisões estratégicas que definem o rumo de uma empresa exigem contexto, experiência, intuição e um profundo conhecimento do negócio. A inteligência artificial pode orientar, mas não substituir quem precisa tomar a decisão final.

Equilíbrio entre Curto Prazo e Visão de Longo Prazo

Outro ponto crucial levantado pela executiva é a aparente dicotomia entre a construção de marca a longo prazo e a obtenção de resultados imediatos. Rey refuta essa ideia, afirmando que as melhores estratégias são aquelas que atendem às necessidades presentes sem comprometer a visão de futuro. A pressão por resultados de curto prazo é uma realidade, mas não deve ditar decisões que prejudiquem o desenvolvimento sustentável da organização. Uma direção clara permite que cada decisão contribua para a construção de valor, equilibrando o avanço tático com a definição estratégica do rumo. As empresas que se destacarão nos próximos anos serão aquelas capazes de manter uma direção clara em meio à volatilidade, incorporando novas capacidades com agilidade, mas sem perder o foco em seu propósito central.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España