O estúdio turco-britânico Yet Design Studio acaba de expandir sua linha de mobiliário Strut com o lançamento de uma mesa e um pufe. As peças, desenhadas por Yağmur Köylü, se juntam à cadeira Strut, apresentada na Semana de Design de Milão de 2025, para formar uma coleção coesa.
A tese central, segundo reportagem da revista Dezeen, é provocadora: elevar um componente industrial banal — o perfil de alumínio usado em construções — à condição de protagonista estético. O movimento questiona a hierarquia tradicional entre o que sustenta e o que decora.
Estrutura como ornamento
A coleção nasceu de uma questão fundamental levantada pela designer: “o elemento que sustenta um objeto pode também ser a fonte de seu caráter?”. A resposta da linha Strut é um sonoro sim. Os perfis de alumínio, normalmente escondidos em estruturas, aqui definem a identidade visual das peças, tratando os elementos de suporte como o evento principal, não um detalhe secundário.
No pufe, a base facetada de alumínio contrasta com o assento circular de couro, criando o que o estúdio descreve como uma “forma compacta, mas confiante”. Na mesa, as pernas rígidas nos cantos do tampo quadrado reforçam a lógica estrutural. O resultado é um diálogo entre a aparente brutalidade do material industrial e a elegância da forma geométrica, demonstrando como força e beleza podem coexistir.
A beleza do utilitário
A apropriação de materiais industriais pelo design de interiores não é nova, mas a abordagem do Yet Design Studio se destaca pela pureza conceitual. Ao invés de simplesmente incorporar uma estética industrial, a coleção Strut elege um único componente modular e explora suas possibilidades funcionais e expressivas em diferentes escalas.
O movimento transforma um item de prateleira, produzido em massa, em um elemento de design sofisticado. É um exercício que desafia a percepção de valor, sugerindo que o engenho no uso de um material pode ser mais relevante que a nobreza da matéria-prima em si.
Ao expandir a linha, o estúdio consolida uma linguagem de design escalável e questiona as fronteiras entre o funcional e o ornamental. A coleção Strut deixa no ar uma provocação que transcende o mobiliário: onde reside, de fato, o caráter de um objeto?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





