A participação de atletas como sócios em times esportivos profissionais deixou de ser uma exceção para se tornar uma tendência acelerada nos Estados Unidos. Nomes como LeBron James, Tom Brady e, mais recentemente, Travis Kelce, que adquiriu uma participação no time de beisebol Cleveland Guardians, ilustram um movimento que ganha força a cada temporada.

O que está em jogo, no entanto, não é apenas o desejo dos atletas de investir. Segundo uma reportagem do Front Office Sports, investidores e bilionários estão ativamente buscando essas estrelas para compor seus grupos de controle. A tese central é que o valor que um atleta icônico agrega vai muito além de seu aporte financeiro.

Reputação vale mais que capital

Para os donos de times e fundos de investimento, a presença de um atleta no quadro societário funciona como um selo de validação. Wale Ogunleye, ex-jogador da NFL e hoje diretor da área de esportes e entretenimento do UBS, afirma que o interesse não está no capital do atleta, mas em sua reputação e nas relações que ele construiu com a comunidade local. A confiança dos torcedores em um grupo de proprietários pode aumentar significativamente com a inclusão de um ídolo, algo que, segundo ele, “às vezes, não se pode comprar”.

Do lado dos atletas, o movimento é estratégico para a construção de um legado pós-carreira. Tina Charles, MVP da WNBA em 2012, ecoa esse sentimento, afirmando que se tornar proprietário é uma forma de “controlar a narrativa”. Ao participar das decisões e assumir riscos, eles transitam da imagem de meros atletas para a de empreendedores, garantindo um assento em salas de decisão que antes lhes eram inacessíveis.

A dinâmica sinaliza uma nova sofisticação no sports business. Não se trata mais apenas de contratos de patrocínio ou publicidade, mas de uma integração estrutural. Os bilionários ganham legitimidade e capital social; os atletas, influência e uma plataforma para solidificar suas marcas como impérios de negócios. É uma aliança onde influência e finanças se tornam ativos interdependentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Front Office Sports