Dennis Vanderbroeck, um designer espacial holandês, tem se destacado por sua abordagem única na criação de cenários que vão além da estética, focando na experiência humana e na interação. Seu trabalho transita entre moda, teatro e música, onde a arquitetura se torna uma moldura para encontros, e a relação entre performers e audiências é tão crucial quanto o próprio espaço.

Vanderbroeck, com formação em teatro, entende que os momentos de coletividade temporária, como em um desfile de moda ou uma apresentação musical, são efêmeros, mas carregados de significado. Ele vê seus designs como ferramentas para facilitar essas experiências, priorizando a conexão e o inesperado. "Eu sempre digo que nossos designs são apenas uma ferramenta para facilitar a experiência", afirma. "É mais sobre a experiência do momento do que sobre o espaço em si."

O Espaço entre o Coletivo e o Individual

Colaborações recentes com marcas como Diesel e Miu Miu ilustram a versatilidade de sua visão. Para a Diesel, sob a direção de Glenn Martens, Vanderbroeck desenvolveu estruturas de andaimes que enfatizavam a energia coletiva e a inclusão. A cenografia era pensada para criar um senso de comunidade e presença, onde a interação entre o grupo e o indivíduo era o ponto central. Performers interrompiam a cena e modelos transitavam pelo espaço, gerando uma dinâmica entre o público e a performance.

Em contraste, para o desfile da Miu Miu em Paris, a abordagem foi de maior proximidade. Com arquibancadas dispostas de forma compacta e uma passarela estreita, Vanderbroeck buscou evocar a intimidade dos desfiles dos anos 90. O público sentava-se próximo, com as modelos passando diretamente à sua frente. Ambas as propostas, embora distintas, exploram a tensão entre o coletivo e o singular, uma fricção que, segundo o designer, é eternamente interessante. Ele joga com essa dinâmica através do layout, integrando a audiência sem ditar reações.

Desenhando Movimento em Espaços Estáticos

A ideia de um espaço que antecipa seu próximo uso também marcou a colaboração com a Miu Miu, especialmente em conexão com a exposição "Geste de Consolation" de Alice Diop. O cenário da moda foi concebido para sugerir movimento e transição, com a intenção de que o mesmo local fosse recontextualizado para a exposição. Trilhos no chão suportavam arquibancadas modulares, conferindo um senso de dinamismo à passarela, mesmo com a estrutura estática. Essa abordagem transforma o set em parte de uma sequência maior, moldado tanto pelo evento presente quanto pelo que virá. Vanderbroeck trata o cenário não como um pano de fundo finalizado, mas como algo adaptável a diferentes situações ao longo do tempo.

Do Teatro ao Palco ao Vivo

O teatro continua sendo uma referência fundamental em sua prática. Para o "OPEN STUDIO" de Issey Miyake na Tate Modern, ele utilizou a geometria circular dos tanques de concreto para explorar a intimidade e a ideia de um abraço. A disposição moldou diferentes graus de proximidade entre performers e público, guiando a experiência de um abraço coletivo para uma interação mais íntima e individual. Vanderbroeck também considerou a jornada do público pelo museu, integrando a arquitetura e as obras de arte ao conceito.

Seu interesse em como um cenário molda uma experiência ao vivo se estende à música. Na turnê "Motomami" de Rosalía, ele colaborou intensamente, unindo referências de moda, cultura popular, teatro e artes plásticas. Vanderbroeck descreve o projeto como uma culminação de sua prática, onde diversas disciplinas se informam mutuamente. "Com Rosalía, honestamente, foi uma acumulação de toda a minha prática em um único projeto, onde moda, música, mas também cultura popular, teatro e referências através das belas artes se uniram", comentou.

Além da Imagem

Em uma era onde eventos ao vivo são cada vez mais documentados online, Vanderbroeck permanece focado na experiência presencial. Ele reconhece a importância das imagens, especialmente na moda, mas não inicia seus projetos imaginando a aparência em uma tela de celular. "Eu estou sempre tentando projetar intencionalmente a partir da experiência física", compartilha. "Se isso então ressoa bem online ou no seu telefone, perfeito. Mas nunca é a intenção principal." Essa filosofia se refletiu no design de palco da turnê "Motomami" de Rosalía, onde a direção da câmera acompanhava a energia da performance ao vivo. Para Vanderbroeck, a filmagem é parte da memória, mas não substitui a vivência.

Ele compreende o impulso de fotografar uma experiência como forma de eternizá-la, uma maneira de confirmar a presença e reter algo que desapareceria. No entanto, a fotografia permanece separada do evento, que depende de um arranjo particular de pessoas, corpos, movimento e tempo. Essa incerteza é parte do que atrai Vanderbroeck ao teatro. Ao projetar o cenário para "A Gaivota" de Anton Chekhov, ele relembrou a primeira prévia com público como um momento de imprevisibilidade, onde a resposta era impossível de prever. Para o designer, esse primeiro encontro entre uma obra e seu público é um lembrete de que o design tem limites. Ele pode moldar o cenário e as condições para uma experiência, mas o que acontece quando as pessoas entram na sala está além de seu controle.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom