A disputa eleitoral de 2026 traz a política ambiental de volta ao centro do debate, com o desmatamento da Amazônia como um dos principais indicadores comparados entre os governos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do sistema Prodes, a Amazônia Legal registrou em 2026 a menor taxa de desmatamento da série histórica iniciada em 1988. Foram desmatados 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. Este resultado representa uma redução de 71,2% em comparação com os 11.594 km² registrados em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro. A queda anual mais recente, entre os períodos de 2024/2025 e 2025/2026, foi de 41,8%, conforme o INPE.

Desmatamento sob o Governo Bolsonaro

Durante os quatro anos do governo Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, as taxas anuais de desmatamento na Amazônia Legal permaneceram em patamares elevados. O pico foi alcançado em 2021, com 13.038 km², o maior índice desde 2006. Em 2019, o desmatamento foi de 10.129 km²; em 2020, 10.851 km²; e em 2022, 11.594 km². Este período consolidou um avanço preocupante na derrubada da floresta amazônica, gerando críticas de ambientalistas e da comunidade internacional.

A Redução no Governo Lula

A partir de 2023, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as taxas anuais de desmatamento apresentaram uma trajetória descendente. Os números divulgados pelo INPE indicam uma queda contínua: 9.064 km² em 2023, 6.518 km² em 2024, 5.731 km² em 2025 e os já mencionados 3.335 km² em 2026. Essa redução expressiva, totalizando 71,2% entre 2022 e 2026, coloca o índice de 2026 abaixo do recorde anterior de menor desmatamento, registrado em 2012 (4.571 km²). É importante notar que os dados do Prodes se referem a períodos de agosto a julho, não a anos-calendário.

Comparativo e Relevância Eleitoral

A comparação direta entre os governos revela a magnitude da mudança. Enquanto o governo Bolsonaro lidou com taxas anuais consistentemente acima de 10.000 km² em três de seus quatro anos, o governo Lula iniciou uma curva descendente que culminou no menor índice histórico. Essa diferença é um ponto chave no discurso ambientalista de ambos os lados na corrida presidencial de 2026. Enquanto o governo atual celebra a conquista ambiental, a oposição busca descreditar os números ou focar em outros indicadores, como queimadas, que nem sempre acompanham a mesma tendência do desmatamento.

Implicações e Próximos Passos

A forte redução do desmatamento é um trunfo para o governo Lula, que busca consolidar sua imagem como defensor da Amazônia. Para a oposição, o desafio é articular uma narrativa que contemple a questão ambiental sem prejudicar outras pautas. A política ambiental, antes vista como um entrave ao desenvolvimento, ganha contornos de estratégia eleitoral e de soberania nacional, com potencial para influenciar decisões de eleitores e parceiros internacionais. A sustentabilidade da floresta, portanto, torna-se um campo de batalha político.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times