A dinâmica do mercado de tecnologia tem mudado drasticamente. Se antes a expansão de portfólios era feita majoritariamente por meio de aquisições, hoje a estratégia se volta para a construção de ecossistemas colaborativos. A velocidade da inovação em áreas como inteligência artificial, cloud e cibersegurança torna inviável para uma única empresa deter todas as competências necessárias. Em vez disso, parcerias com startups e empresas especializadas ganham força, trazendo agilidade e conhecimento específico para grandes projetos.
Um estudo global da KPMG com 851 organizações aponta que 83% dos executivos pretendem ampliar suas redes de parceiros nos próximos três anos, com compliance regulatório e riscos cibernéticos liderando as preocupações. Essa tendência, porém, cria um choque de culturas e velocidades entre grandes corporações, com suas complexas estruturas de governança, e startups, que operam com ciclos mais curtos e processos enxutos. O desafio reside em conciliar a agilidade exigida pelo mercado com os controles necessários para garantir a integridade das entregas.
O Dilema da Responsabilidade
Quando um projeto de tecnologia envolve múltiplos parceiros, a questão de quem assume o risco em caso de falha se torna central. Para o cliente final, geralmente há uma única empresa responsável pela solução contratada. Contudo, problemas financeiros, jurídicos, fiscais, operacionais ou de segurança de um parceiro podem comprometer todo o projeto e a reputação da empresa principal. Isso exige que a gestão de riscos de terceiros ocorra de forma proativa, antes mesmo da entrada formal do parceiro no projeto. A profundidade dessa análise deve ser proporcional à importância estratégica do parceiro e ao nível de acesso que ele terá a dados e atividades críticas.
Vulnerabilidades Cibernéticas e Cadeia de Suprimentos
O Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, destaca que 65% das grandes empresas consideram vulnerabilidades em terceiros e na cadeia de suprimentos seu maior desafio para a resiliência cibernética. Embora a maioria avalie a maturidade de segurança de seus fornecedores, uma parcela menor mapeia de forma abrangente seus ecossistemas para entender interdependências e exposições a ameaças. Essa lacuna demonstra a necessidade de ir além do simples cadastro de fornecedores, avançando para uma homologação robusta que avalie a capacidade da empresa em participar de entregas críticas, considerando sua regularidade jurídica, fiscal, saúde financeira, capacidade operacional e segurança da informação.
Homologação na Velocidade da Inovação
A homologação, portanto, deixa de ser apenas uma formalidade burocrática ou um requisito de compliance para se tornar um instrumento estratégico na construção de ecossistemas tecnológicos seguros e resilientes. O desafio não é escolher entre velocidade e controle, mas sim adaptar os processos de homologação para que sejam compatíveis com a agilidade dos novos modelos de negócio e com o nível de risco inerente a cada parceria. Processos excessivamente longos podem levar à perda de oportunidades valiosas ou dificultar a entrada de parceiros inovadores, enquanto uma aprovação apressada sem o devido conhecimento do terceiro pode transferir riscos significativos para o projeto, que só se manifestarão posteriormente.
O Equilíbrio Necessário
A questão de quem assume o risco no ecossistema tecnológico é complexa e multifacetada. A crescente interdependência entre empresas, especialmente entre grandes corporações e startups ágeis, exige uma reavaliação dos modelos tradicionais de gestão de terceiros. Encontrar o equilíbrio entre a velocidade necessária para inovar e os controles indispensáveis para mitigar riscos é o grande desafio. A homologação deve evoluir para se tornar um processo mais inteligente e adaptável, capaz de suportar a dinâmica dos ecossistemas tecnológicos modernos sem comprometer a segurança e a integridade das entregas. A forma como as empresas navegarão essa tensão definirá a sustentabilidade e a resiliência de suas operações futuras.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





