Alex Gibney, o documentarista por trás de investigações aclamadas sobre a Theranos e Steve Jobs, mira agora em outra figura central da tecnologia: Elon Musk. Seu novo filme, intitulado simplesmente Musk, é um épico de quase quatro horas que se propõe a recontar a trajetória do bilionário, desde os primórdios como milionário da bolha ".com" até sua controversa influência sobre a política e a sociedade.

Segundo uma análise do site The Verge, a obra é minuciosa e convincente. A questão, no entanto, é seu público. Para quem já acompanha a carreira e as polêmicas de Musk, o filme pode não trazer grandes revelações, servindo mais como uma consolidação de críticas existentes do que como um novo olhar. O risco, aponta a crítica, é o de "pregar para convertidos".

A narrativa em um beco sem saída

O desafio de documentar Elon Musk hoje é que sua história já foi contada e recontada à exaustão, em tempo real, nas mesmas plataformas que ele ajuda a moldar. Gibney tenta aplicar seu método rigoroso para criar um registro definitivo, mas a própria natureza midiática de Musk transforma o esforço em uma tarefa complexa. O filme corre o risco de se tornar apenas mais um artefato no ecossistema de conteúdo que orbita o bilionário, em vez de uma análise distanciada.

A duração massiva atua como um filtro natural. A aposta é que apenas os já investidos no debate — seja como admiradores ou detratores — se dedicarão a assistir. Para o público geral, a barreira de tempo pode ser intransponível, o que limita o potencial do documentário de ampliar ou alterar a percepção pública sobre uma das figuras mais poderosas e polarizadoras do nosso tempo.

Ao final, a pergunta que fica não é se o documentário é bem-feito, mas qual seu impacto real. Em um mundo saturado pela onipresença de Musk, uma retrospectiva, por mais detalhada que seja, talvez sirva menos para informar e mais para confirmar as narrativas que cada espectador já escolheu para si.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Verge