A Embraer, fabricante brasileira de aeronaves comerciais e executivas, está se preparando para assumir uma parcela maior na produção dos caças Gripen, desenvolvidos em parceria com a Saab, empresa sueca de defesa e aeroespacial. Apesar do aumento na demanda e do aprofundamento da cooperação industrial, a companhia descarta, no momento, o desenvolvimento independente de aeronaves de combate. Segundo o CEO Francisco Gomes Neto, em declaração reportada pelo Breaking Defense, o mercado de caças "não é um lugar para onde queremos ir". O executivo acrescentou que a empresa está "estudando outros segmentos primeiro", indicando um foco estratégico em áreas com menor barreira de entrada ou maior sinergia com o portfólio atual.
O limite estratégico da parceria sueco-brasileira
A posição da liderança da Embraer reflete uma leitura pragmática sobre a dinâmica do setor de defesa global. O desenvolvimento de caças de nova geração exige um volume massivo de capital, décadas de pesquisa e desenvolvimento, e o suporte incondicional de orçamentos estatais — um cenário dominado por consórcios europeus e gigantes norte-americanas. Ao atuar como parceira de manufatura e transferência de tecnologia da Saab no programa Gripen, a Embraer mitiga os riscos financeiros enquanto absorve conhecimento técnico de ponta.
A decisão de não cruzar a linha de parceira industrial para fabricante independente de caças sugere que a companhia prefere alocar recursos em frentes onde já possui escala e competitividade comprovadas, como a aviação comercial, executiva e aeronaves de transporte militar tático, a exemplo do C-390 Millennium. A expansão do workshare no Gripen permite à empresa brasileira capturar valor no curto e médio prazo, atendendo à demanda crescente por equipamentos de defesa sem comprometer seu balanço com apostas de altíssimo risco.
O equilíbrio entre a absorção de tecnologia militar avançada e a disciplina na alocação de capital continuará a ditar os próximos passos da fabricante. A evolução da parceria com a Saab servirá como um termômetro para a capacidade da indústria brasileira de se integrar a cadeias globais de defesa sem necessariamente liderar o desenvolvimento de plataformas primárias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Breaking Defense





