A onipresença de alimentos ultraprocessados na dieta moderna levanta questões sobre a segurança e o impacto de seus inúmeros aditivos na saúde a longo prazo. Elizabeth Dunford, uma epidemiologista nutricional da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, dedica sua carreira ao estudo dessas substâncias e suas consequências. Para Dunford, que também é mãe de dois filhos, a estratégia não é a eliminação total de produtos embalados – que compõem cerca de 70% do suprimento alimentar nos EUA –, mas sim a busca por um "baixo índice de aditivos" nas escolhas diárias. A regra geral é simples: se metade dos ingredientes no rótulo é irreconhecível, o produto provavelmente não é uma boa opção.
O Perigo dos Corantes Sintéticos
Dunford demonstra uma aversão particular a corantes sintéticos, que são amplamente utilizados para conferir apelo visual a uma vasta gama de produtos, não se limitando a doces e salgadinhos. Esses corantes, frequentemente derivados do petróleo, podem aparecer em itens como bagels de mirtilo ou wraps de espinafre. Embora não sejam comprovadamente prejudiciais a todos os consumidores, evidências sugerem que eles podem exacerbar comportamentos hiperativos ou de atenção em crianças sensíveis. Dunford relata que seu filho, diagnosticado com TDAH, apresentava mudanças comportamentais notáveis após o consumo de alimentos com cores vibrantes. A pesquisadora evita esses corantes em casa, permitindo-os apenas em ocasiões especiais, como festas de aniversário. A regulamentação tem avançado nesse sentido: em janeiro de 2025, a FDA baniu o Corante Vermelho 3, associado a estudos em animais com risco de câncer, e anunciou o processo de eliminação gradual de outros corantes sintéticos comuns, como Vermelho 40, Verde 3, Amarelo 5, Amarelo 6, Azul 1 e Azul 2, devido a preocupações com saúde e comportamento.
Fosfatos: Um Risco Silencioso?
Outra categoria de aditivos que Dunford evita ativamente são os compostos de fosfato, incluindo ácido fosfórico, fosfato de cálcio e fosfato de sódio, frequentemente encontrados em refrigerantes, carnes processadas, fast food e até mesmo em produtos mais cotidianos como iogurte e pães. Estudos indicam que esses aditivos podem elevar os níveis de fosfato no sangue, superando o efeito dos fosfatos naturalmente presentes em alimentos como carne, peixe e laticínios. A exposição crônica a altos níveis de fosfato pode ser particularmente prejudicial para a saúde óssea e renal. O corpo necessita de fosfato para a formação de ossos, dentes e células, além da produção de energia. Contudo, o excesso de fosfato no sangue pode desequilibrar a relação com o cálcio, levando a alterações hormonais e à liberação de cálcio dos ossos, enfraquecendo-os. Embora a pesquisa sobre os efeitos a longo prazo em indivíduos saudáveis ainda esteja em andamento, Dunford prefere a cautela, optando por versões de produtos sem esses aditivos para sua família.
O Equilíbrio na Dieta Familiar
A abordagem de Dunford reflete um pragmatismo necessário no contexto alimentar atual. A meta não é a perfeição, mas a tomada de decisões informadas e consistentes. Ela ensina aos filhos que escolhas alimentares saudáveis, ricas em vegetais, proteínas e cálcio, são fundamentais para o desenvolvimento cerebral e físico. A ideia de que "há um tempo e um lugar para guloseimas" é transmitida, mas com a ressalva de que o consumo excessivo não é benéfico. O foco recai sobre os "escolhas alimentares e de bebidas do dia a dia", que são as que realmente importam para a manutenção da saúde. Essa filosofia permite desfrutar de alimentos processados ocasionalmente, sem comprometer os pilares de uma dieta equilibrada e nutritiva.
Implicações e o Futuro dos Aditivos
As descobertas e recomendações de Dunford ecoam um debate global sobre a regulamentação e o uso de aditivos alimentares. Enquanto a indústria busca inovar em conservantes e realçadores de sabor, órgãos reguladores como a FDA respondem a novas evidências científicas com proibições e restrições graduais. A tendência é de maior escrutínio sobre ingredientes que, embora aprovados, podem apresentar riscos em exposições prolongadas ou em populações sensíveis. A pesquisa contínua é essencial para desvendar completamente os mecanismos pelos quais esses aditivos interagem com o corpo humano e para informar políticas de saúde pública mais eficazes. A busca por alternativas mais seguras e a educação do consumidor sobre a leitura de rótulos permanecem como ferramentas cruciais na promoção de dietas mais saudáveis.
A jornada para uma alimentação mais saudável é contínua e envolve escolhas conscientes. A orientação de especialistas como Dunford serve como um lembrete de que, mesmo em meio a um cenário alimentar complexo, a atenção aos detalhes nos rótulos pode fazer uma diferença significativa para o bem-estar familiar. A busca pela versão "sem aditivos" ou com menos ingredientes desconhecidos é um passo prático para quem deseja mitigar os riscos associados ao consumo de alimentos ultraprocessados, priorizando a saúde a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





