A Espanha consolidou sua posição no 39º lugar entre as 70 economias avaliadas no mais recente 'Ranking Mundial de Competitividade', elaborado pela IMD Business School. O resultado, divulgado nesta semana, mantém o país no mesmo patamar do ano anterior, evidenciando um cenário de estabilidade que, embora evite retrocessos, também sinaliza uma dificuldade persistente em escalar posições no ambiente global de negócios.

O desempenho espanhol é marcado por um contraste nítido: enquanto o país demonstra vigor em métricas de infraestrutura e performance econômica externa, ele enfrenta obstáculos estruturais que limitam seu potencial de crescimento. Segundo a análise do IMD, a economia espanhola sustenta suas fortalezas em pilares como o sistema de saúde, a produtividade científica e a conectividade digital, além de uma robusta base de exportação de serviços, com o turismo exercendo papel central como motor de receita.

Fortalezas consolidadas e o motor do turismo

O fator de maior destaque para a Espanha no levantamento é o seu desempenho econômico, que figura na 22ª posição global. Esse resultado é impulsionado por uma forte presença em investimentos no exterior e pela competitividade na exportação de serviços. A infraestrutura nacional, beneficiada por indicadores sólidos de longevidade e pelo avanço do setor financeiro, fornece um suporte necessário para que o país mantenha sua relevância dentro da zona do euro.

Entretanto, o sucesso nesses nichos não mascara a fragilidade do mercado de trabalho. O desemprego, especialmente entre os jovens, continua a ser um dos principais gargalos que impedem uma performance superior no ranking. Essa ineficiência operacional, aliada a um ambiente burocrático que dificulta a criação de novas empresas e a agilidade regulatória, atua como um freio constante para o dinamismo que a economia espanhola poderia alcançar em condições de maior fluidez.

O peso da instabilidade institucional

Para Arturo Bris, diretor do 'World Competitiveness Center' do IMD, a percepção de polarização e a fragmentação institucional são fatores determinantes que penalizam a Espanha. A falta de estabilidade política não é apenas um ruído social, mas um custo direto para a competitividade, uma vez que afeta a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo e a eficácia das políticas públicas implementadas.

O ranking também aponta que elementos como a regulamentação laboral e aspectos fiscais permanecem como pontos de atrito. A burocracia, citada recorrentemente como um entrave, retira a agilidade das empresas espanholas frente a concorrentes internacionais que operam em ecossistemas mais desonerados e com marcos regulatórios mais adaptáveis às mudanças rápidas do mercado global.

Lições do cenário global

O topo da classificação, ocupado por Singapura, serve como um lembrete da rapidez com que economias ágeis podem recuperar impulso através de reformas focadas na eficiência empresarial. Em contrapartida, a queda de países como a Suíça no quesito de desempenho econômico demonstra que nem mesmo as nações tidas como mais sólidas estão imunes a choques geopolíticos e ao aumento do custo de vida, que corrói margens e encarece a operação corporativa.

Esses exemplos reforçam que a competitividade não é um estado estático, mas uma corrida contínua. Enquanto a Arábia Saudita avança posições através de reformas estruturais em legislação e política fiscal, a Espanha enfrenta o desafio de transformar suas vantagens comparativas — como a infraestrutura de ponta — em um ecossistema mais favorável ao empreendedorismo e à geração de empregos de valor agregado.

Perspectivas e incertezas

O que permanece em aberto para a Espanha é a capacidade de converter suas bases sólidas em reformas que ataquem a raiz da ineficiência governamental. A estabilidade institucional, elemento frequentemente citado por analistas como o elo perdido, será o fator determinante para que o país consiga, em futuras edições, romper o teto da 39ª posição.

Observar a evolução da regulação laboral e a simplificação administrativa nos próximos ciclos será essencial para entender se o país conseguirá destravar o potencial de suas empresas. O cenário é de cautela, onde o capital exige não apenas infraestrutura, mas um ambiente de negócios sem a fragmentação que hoje limita o crescimento espanhol.

A estagnação no ranking funciona como um espelho para a economia espanhola: os fundamentos existem, mas a execução ainda esbarra em velhas estruturas que demandam uma modernização urgente para enfrentar a competitividade global. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España