Uma delegação de 47 empresas espanholas, liderada pelo ministro da Economia, Comércio e Empresa, Carlos Cuerpo, esteve em Kiev para a primeira reunião do Comitê Bilateral Espanha-Ucrânia. O encontro, organizado pelas Câmaras de Comércio dos dois países, formalizou a criação de um conselho empresarial com o objetivo de reforçar as relações econômicas e garantir a participação espanhola na reconstrução do país.
A iniciativa, contudo, vai além do simples reparo dos danos de guerra. A tese que emerge do encontro é a de um posicionamento estratégico de longo prazo. O esforço não é apenas para "reconstruir o que foi danificado", nas palavras do ministro Cuerpo, mas para "criar as condições para um crescimento sustentável, a integração econômica e a competitividade a longo prazo" da Ucrânia, alinhando o país à União Europeia.
Além da reconstrução, a modernização
O discurso das autoridades de ambos os lados aponta para uma visão compartilhada que transcende a ajuda humanitária ou o financiamento emergencial. O conselho bilateral foi desenhado para ser um "instrumento estável de diálogo" entre as comunidades empresariais, servindo como uma ponte estruturada para que o setor privado possa identificar oportunidades e apresentar propostas concretas aos governos.
O foco está em setores considerados estratégicos para a modernização ucraniana: infraestrutura, energia, indústria, tecnologia, agronegócio e serviços avançados. A ideia é que as empresas espanholas não apenas executem projetos, mas participem da criação de uma economia mais resiliente e tecnologicamente avançada, como destacou o ministro da Economia ucraniano, Oleksii Sobolev, que citou a cooperação como uma "autêntica parceria".
Capacidades e interesses em jogo
Para a Espanha, a iniciativa é uma oportunidade de projetar suas indústrias em um mercado com enorme potencial de crescimento. Luis Furnells, presidente da empresa de tecnologia e defesa Oesía e da seção espanhola do conselho, ressaltou que o país possui "altas capacidades" em segurança, defesa e gestão de infraestruturas críticas. A meta, segundo ele, é impulsionar a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de capacidades industriais compartilhadas.
Do lado ucraniano, o interesse é igualmente claro. Mykhailo Bno-Airiian, vice-presidente da gigante agrícola MHP e líder da seção ucraniana, afirmou que a Espanha "pode se tornar um dos principais aliados da Ucrânia dentro da União Europeia". Ele destacou que, apesar da guerra, as empresas locais continuam a investir e modernizar suas operações, buscando ativamente parceiros internacionais para acelerar esse processo.
O estabelecimento do conselho é, portanto, o primeiro passo formal para alinhar os interesses comerciais espanhóis às necessidades estruturais da Ucrânia. Mais do que um projeto de reconstrução, o que se desenha é a edificação de uma nova matriz econômica ucraniana, com a Europa, e agora a Espanha de forma mais direta, como parceira central.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España


