O governo da Espanha colocou sobre a mesa uma proposta para expandir significativamente sua rede de áreas marinhas protegidas (AMPs). O plano prevê a criação de 23 novos espaços, que somariam cerca de 22.000 km² à rede Natura 2000, um esforço para cumprir metas europeias de conservação.
A iniciativa elevaria a cobertura de proteção marinha do país para quase 25%, aproximando-se do objetivo de 30% estabelecido pela União Europeia para 2030. Contudo, o anúncio é recebido com ceticismo por organizações ambientalistas, que apontam uma dissonância crônica entre a designação de áreas e sua proteção efetiva.
O dilema dos "parques de papel"
A principal crítica, vocalizada por ONGs como a Oceana, é que a Espanha tem um histórico de criar "parques de papel": áreas demarcadas no mapa que, na prática, carecem de planos de gestão e fiscalização robustos. Sem restrições claras a atividades danosas, como certos tipos de pesca, a proteção se torna meramente simbólica.
A situação é tão crítica que a Oceana, junto à ClientEarth, mantém processos judiciais contra o governo espanhol. A acusação é de permitir a pesca de arrasto de fundo — uma prática altamente destrutiva para os ecossistemas do leito marinho — dentro de zonas que, teoricamente, deveriam ser protegidas.
Metas no papel, atrasos na prática
O ceticismo não é infundado e se apoia em precedentes concretos. Reportagem da Forbes España aponta para o atraso na aprovação de nove planos de gestão para outros espaços marinhos já existentes, que são financiados por um projeto europeu de quase 50 milhões de euros.
A finalização desses planos, inicialmente prevista para 2024, já foi adiada pela segunda vez, agora com o prazo estendido para 2027. Este histórico de implementação deficitária lança uma sombra sobre a nova proposta de expansão e reforça a desconfiança dos grupos conservacionistas.
A ambição espanhola está alinhada com a urgência climática e de biodiversidade. No entanto, o desafio real não é apenas desenhar novas fronteiras no oceano, mas garantir que as áreas protegidas, novas e antigas, tenham os recursos e o arcabouço legal para serem mais do que linhas em um mapa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





