A chamada “cuesta de septiembre” — o aperto financeiro que os espanhóis sentem após as férias de verão e com a volta às aulas — está impulsionando a adoção de novas modalidades de crédito. Uma pesquisa da fintech Aplazame, especializada em soluções de “Buy Now, Pay Later” (BNPL), aponta que um em cada quatro consumidores no país pretende fracionar pagamentos no mês para lidar com a concentração de despesas.
O dado, reportado pela Forbes Espanha, sinaliza uma mudança de comportamento relevante. O fracionamento de compras, uma prática há muito consolidada no varejo brasileiro, ganha tração em mercados europeus não apenas como ferramenta de acesso ao consumo, mas como um instrumento de gestão do orçamento familiar. A análise indica que o crediário digital se torna uma peça-chave para suavizar picos de gastos sazonais.
O crediário como ferramenta de gestão
O principal motivo para recorrer ao parcelamento, segundo 39,9% dos entrevistados, é a necessidade de “distribuir melhor os gastos ao longo do mês”. Apenas em segundo lugar, com 22%, aparece a intenção de viabilizar compras de valor mais elevado. Isso sugere que o BNPL está sendo percebido menos como um luxo para adquirir bens aspiracionais e mais como uma ferramenta pragmática para o dia a dia financeiro.
Os eletrônicos lideram a intenção de parcelamento (40,9%), o que é esperado para produtos de alto valor. No entanto, a relevância de categorias como material escolar (12,7%) e custos com formação e matrículas (10,8%) é sintomática. O crédito digital avança sobre despesas essenciais e recorrentes, mostrando sua crescente integração ao planejamento financeiro das famílias, muito além do consumo discricionário.
Um espelho para o Brasil
Para o observador brasileiro, o fenômeno é familiar, mas o contexto é distinto. Enquanto no Brasil o “parcelado sem juros” é uma instituição cultural do varejo, na Europa sua ascensão é um evento mais recente, pilotado por fintechs. A pesquisa revela que 63% dos espanhóis consideram setembro um dos meses de maior impacto econômico, com 40,3% prevendo um gasto extra superior a 500 euros.
Esse cenário de pressão sobre a renda transforma as soluções de BNPL em um serviço de alta demanda. Empresas como a Aplazame se posicionam não apenas como provedores de crédito, mas como parceiras na organização financeira do consumidor. A questão que se coloca não é se o modelo de parcelamento vai crescer, mas a que velocidade e profundidade ele irá redesenhar as estruturas de crédito e varejo em mercados que, até pouco tempo, dependiam majoritariamente do pagamento à vista ou do cartão de crédito tradicional.
A digitalização do crediário parece ser um caminho sem volta, transformando um hábito de consumo em uma ferramenta de resiliência financeira.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





