A crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial na produção de conteúdo esportivo tem gerado atritos com o público. Um incidente notório ocorreu em maio, quando a jogadora Caitlin Clark criticou sua própria equipe, o Indiana Fever, por postar uma imagem manipulada em redes sociais. A imagem, que combinava elementos de Clark e sua colega de equipe Aliyah Boston, foi resultado do uso de uma ferramenta de IA. A reação negativa, tanto da atleta quanto dos fãs, tornou-se um padrão em diversos setores do esporte. No entanto, muitas equipes, ligas e organizações esportivas continuam a experimentar e expandir o uso da IA em suas operações de mídia e produção de conteúdo.

Uma pesquisa recente conduzida pela FOS e Teamworks, com mais de 200 líderes do setor esportivo, aponta que 40% das organizações já empregam IA para fins de conteúdo ou produção de mídia. Adicionalmente, 24% dos entrevistados planejam iniciar o uso da tecnologia nos próximos 12 meses. Nas ligas profissionais, o índice de uso atual é ainda maior, atingindo 45%. Exemplos de resistência do público incluem a implementação de menus gerados por IA no Dodger Stadium, cartões de escalação em Citi Field e posts em redes sociais de diversas equipes de grandes ligas. No esporte universitário, 29% dos respondentes afirmam usar IA para criação de conteúdo, com casos como a parceria da Washington State University com a FanWord, que utiliza IA para gerar resumos de jogos e biografias de atletas, gerando debates sobre a substituição de funções de assistentes e cargos de nível inicial.

Algumas organizações têm se posicionado explicitamente contra o uso de IA em suas produções. O New Orleans Saints declarou no X/Twitter que "nunca usará IA para nossos gráficos/ilustrações", e o St. Louis Blues legendou uma colagem de gráficos da equipe como "Feito por pessoas reais. Não IA.". Contudo, a tendência de proliferação da IA é clara: 90% dos profissionais em ligas de ponta e 88% no esporte universitário esperam um aumento no uso da tecnologia nos próximos dois a três anos, abrangendo diversas funções empresariais. A produção de conteúdo se destaca como uma área chave nesse avanço, indicando que, apesar das críticas, a inteligência artificial se consolida como uma ferramenta cada vez mais presente no universo esportivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Front Office Sports