Uma startup japonesa chamada MW está propondo uma visão radicalmente diferente para o futuro da automação residencial. Em vez de robôs humanoides que circulam pela casa, a empresa aposta em uma arquitetura pensada desde o início para a automação, com braços robóticos que se movem em trilhos instalados no teto. A inspiração, segundo reportagem do jornal espanhol El Confidencial, é a tecnologia vista nos filmes do Homem de Ferro.

A abordagem resolve de imediato um dos maiores gargalos da robótica doméstica: a navegação. Ao operar pelo teto, o sistema da MW não precisa se preocupar com escadas, móveis, animais de estimação ou o equilíbrio precário que ainda assombra os robôs bípedes. A tese aqui é que a verdadeira revolução pode não ser um robô que imita o ser humano, mas uma casa que é, em si, uma máquina eficiente.

Uma arquitetura, não um aparelho

O conceito da MW, com sede em Tóquio, se baseia em três pilares: uma arquitetura residencial específica, o componente físico chamado "MW bot" e o software de controle "MW Intelligence". A ideia é que, ao projetar a casa em torno da automação, é possível simplificar drasticamente os problemas que robôs autônomos enfrentam em ambientes não estruturados. Para a startup, esta é uma solução mais pragmática para as residências japonesas, tipicamente compactas.

Uma demonstração recente exibiu o potencial e os limites da tecnologia. Os braços robóticos conseguiram organizar itens de uma despensa e dobrar uma toalha retirada da secadora. Contudo, o sistema falhou ao tentar dobrar uma camiseta, uma tarefa que exige a manipulação de tecidos flexíveis e múltiplos pontos de contato. O episódio é um lembrete de que, na automação, os últimos 5% do trabalho são frequentemente os mais complexos.

Ambição e realidade

O projeto já superou a fase puramente conceitual. A MW captou ¥3 bilhões (cerca de €16,75 milhões) em capital semente e, segundo seu CEO, Shuzo Narita, já finalizou a primeira geração de seu robô e software. A empresa afirma ter mais de mil solicitações e já realizou as primeiras vendas, com preços que variam de ¥200 milhões a ¥400 milhões (aproximadamente R$ 6,5 milhões a R$ 13 milhões).

Os planos são ambiciosos: vender a primeira residência totalmente equipada até 2028 e atingir uma produção de 10 mil unidades anuais em 2035, com expansão internacional a partir de 2029. O custo, por enquanto, posiciona a solução no segmento de altíssimo luxo, longe da realidade do consumidor médio. A visão de uma casa que cuida de si mesma começa a tomar forma, mas a jornada da automação doméstica completa ainda está no início. A aposta da MW não é em um mordomo robótico, mas em uma casa que é o próprio robô.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · El Confidencial — Tech