O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, deu início oficial à construção de sua nova ala de arte moderna e contemporânea, a Tang Wing. O projeto é assinado pela arquiteta mexicana Frida Escobedo, a primeira mulher na história a desenhar uma ala para a instituição centenária. A cerimônia, segundo reportagem do site Hyperallergic, marcou um momento simbólico para o museu.
A obra é mais do que uma simples expansão física. Ela representa um capítulo de renovação para o Met, que busca se reposicionar em um cenário cultural em constante mudança. A escolha de Escobedo e seu discurso, que evocou a ideia de que instituições, como a arquitetura, “nunca estão totalmente acabadas”, encapsula a tese por trás do movimento: o museu como um organismo vivo, em perpétuo estado de devir.
A pedra e o devir
Em seu discurso, Escobedo fez referência à expressão espanhola “la primera piedra” (a primeira pedra), conectando-a aos blocos de pedra não esculpidos que permanecem no topo da fachada do Met desde o século XIX — um vestígio de um plano de expansão que nunca se concretizou. Para a arquiteta, eles simbolizam a ideia de “tornar-se”. A leitura é que o museu abraça sua própria incompletude como uma força, não uma falha.
A escolha de uma arquiteta mexicana, que neste ano também participou do primeiro evento público do Met realizado inteiramente em espanhol, reforça essa narrativa. O gesto sinaliza uma abertura mais intencional à diversidade cultural e a novas perspectivas, tanto em seu acervo quanto em sua própria estrutura física e institucional.
Mais do que metros quadrados
O projeto da Tang Wing substituirá a antiga ala Lila Acheson Wallace, num investimento que vai além da estética. Com 126 mil pés quadrados (cerca de 11.700 m²), a nova estrutura adicionará quase 70 mil pés quadrados de espaço de exibição, um aumento de quase 50% para a coleção de arte dos séculos XX e XXI.
Contudo, os números mais relevantes podem estar nos detalhes. O projeto prioriza a melhoria da acessibilidade e a redução do consumo de energia, alinhando o museu a demandas contemporâneas de inclusão e sustentabilidade. A arquitetura, aqui, funciona como uma ferramenta para modernizar não apenas a aparência do Met, mas sua operação e sua relação com o público.
Com inauguração prevista para 2030, a Tang Wing é uma aposta de longo prazo no futuro do museu físico. O desafio será garantir que a programação e a curadoria dentro das novas paredes sejam tão abertas à evolução quanto a arquitetura que as abriga, transformando o espaço em uma plataforma para o debate, e não apenas um depósito de obras-primas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





