A 11ª pesquisa anual de estagiários do Goldman Sachs, que ouviu quase 2.100 jovens, oferece um vislumbre sobre como a próxima geração de líderes de Wall Street interage com a Inteligência Artificial (IA). Os resultados indicam uma visão pragmática: a tecnologia é vista como uma ferramenta útil, mas com limites claros, especialmente em áreas que envolvem criatividade e relações humanas.

Jacqueline Arthur, chefe global de gestão de capital humano do Goldman Sachs, destacou que o fato de serem nativos digitais não significa que serão usuários exclusivos de tecnologia. "Essa é uma mensagem encorajadora para a força de trabalho e os futuros líderes", afirmou Arthur, ressaltando que os estagiários encaram a tecnologia como um auxílio, não como um substituto.

A IA como Ferramenta de Aprendizado e Suporte

Quando questionados sobre como utilizam a IA em suas vidas pessoais, uma maioria expressiva de 64% apontou o "aprendizado/autoensino" como o principal uso. Outras aplicações frequentes incluem o auxílio na escrita (36%) e a verificação de código (27%). A preferência por aprender sobre tecnologia por meio da experimentação direta também foi notável, com mais da metade dos estagiários optando por essa abordagem, em contraste com os 21% que preferem artigos online.

Essa preferência por aprendizado prático se estende para fora do ambiente de trabalho. Cerca de 26% dos estagiários indicaram que preferem aprender "colocando a mão na massa", comparado a 13% que optariam por aprendizado assistido por IA. Essa inclinação para a experiência direta sugere uma valorização do conhecimento adquirido pela prática, mesmo em um mundo cada vez mais digitalizado.

Resistência à IA em Áreas Criativas e Pessoais

Um dos achados mais significativos da pesquisa é a crescente aversão dos estagiários à participação da IA em trabalhos criativos. Cerca de 60% dos respondentes afirmaram preferir que não haja envolvimento de IA em áreas como arte, música e literatura, um aumento em relação aos 54% do ano anterior. Essa tendência se alinha com o sentimento de alguns artistas que condenam o uso de IA em suas produções e com a crescente atração da Geração Z por experiências presenciais, em meio a um cenário de "inundação de IA".

No entanto, quando se trata de suas próprias finanças, a percepção muda. Cerca de 71% dos estagiários se mostraram confortáveis com alguma assistência de IA para orçamento e conselhos de investimento, um leve aumento em relação aos 70% do ano passado. Isso indica que a IA é bem-vinda em tarefas analíticas e de suporte financeiro, mas não em domínios onde a originalidade e a expressão humana são centrais.

Valorização das Relações Humanas e do Futuro

Mesmo sendo considerados "nativos de IA", os estagiários do Goldman Sachs ainda atribuem grande valor às relações humanas e à mentoria. Aproximadamente 42% preferem colaboração presencial, e o principal benefício de ir ao escritório, segundo eles, é a formação de conexões espontâneas. Essa preferência por interações face a face aponta para a importância contínua do networking e da construção de relacionamentos no ambiente corporativo.

Em relação ao futuro, os estagiários demonstram um otimismo considerável quanto às suas trajetórias pessoais. Cerca de 63% se declararam "muito otimistas" sobre seus próprios futuros, e quase 100% expressaram o desejo de ter um relacionamento de longo prazo e possuir uma casa, repetindo o sentimento do ano anterior. Esse otimismo pessoal contrasta com uma visão mais moderada sobre o mercado de trabalho do país, onde 31% dos respondentes se mostraram "neutros".

Perguntas em Aberto e o Caminho à Frente

A pesquisa levanta questões importantes sobre o papel da IA no futuro do trabalho e da sociedade. Se por um lado a tecnologia se mostra uma aliada poderosa no aprendizado e em tarefas analíticas, por outro, a resistência em áreas criativas e a valorização de interações humanas sugerem um caminho onde a IA complementa, mas não substitui, a capacidade humana.

O futuro do trabalho em Wall Street e em outros setores dependerá de como essa tensão entre a automação e a necessidade de toque humano será gerenciada. A forma como os futuros líderes navegarão essa integração definirá o equilíbrio entre eficiência tecnológica e a essência das atividades humanas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider