Um tribunal federal sentenciou o ex-diretor de operações do High Museum of Art, em Atlanta, a um ano de prisão e um ano de liberdade supervisionada por desviar mais de US$ 600 mil do museu. Brady Lum, de 60 anos, atuou como COO do High Museum de janeiro de 2019 a dezembro de 2025, quando se demitiu. A fraude começou em setembro de 2019, cerca de nove meses após assumir o cargo, e continuou até novembro de 2025, quando foi descoberta.

O Mecanismo da Fraude

O esquema de Lum envolveu a compra de itens e serviços pessoais, como guitarras de alto valor, equipamentos de áudio e aulas de música, além de ferramentas de marcenaria. Ele utilizou tanto o processo de faturamento direto de fornecedores quanto o sistema de reembolso do cartão corporativo do museu para cobrir essas despesas. Para ocultar suas ações, Lum falsificava faturas, aprovava suas próprias despesas e utilizava ajustes contábeis para distribuir os custos por diferentes centros de despesas, segundo a promotoria do Distrito Norte da Geórgia. Essa complexa teia de falsificações e manobras contábeis permitiu que o desvio passasse despercebido por anos.

A Quebra de Confiança

“Lum roubou descaradamente centenas de milhares de dólares de uma instituição cívica amada para pagar por suas guitarras caras e outros itens pessoais. Sua chocante quebra de confiança prejudicou não apenas o High Museum, mas também a comunidade artística em geral”, declarou o procurador americano Theodore S. Hertzberg. A declaração ressalta o impacto não apenas financeiro, mas também reputacional do crime, afetando a credibilidade do museu e a confiança do público e da comunidade artística. A arte, em suas diversas formas, depende de instituições sólidas e confiáveis para sua preservação e disseminação.

Reparação e Consequências

Antes da sentença, Lum já havia pago integralmente os US$ 607.688,18 que desviou, como parte de um acordo judicial anunciado em julho. Além disso, ele voluntariamente reembolsou ao High Museum US$ 500.000 para cobrir despesas de investigação e honorários advocatícios. “Lum indenizou o High Museum cobrindo suas perdas e despesas, e agora pagará sua dívida para com a sociedade da prisão”, acrescentou Hertzberg. Embora a reparação financeira seja um componente importante na resolução de casos de fraude, a sentença de prisão reforça a mensagem de que tais atos de má conduta terão consequências legais severas.

Governança em Instituições Culturais

Este caso levanta questões cruciais sobre os sistemas de governança e controle interno em instituições culturais. Museus e outras organizações sem fins lucrativos, embora muitas vezes com recursos limitados, são alvos potenciais para fraudes devido à natureza de suas missões e, por vezes, a estruturas de supervisão menos rigorosas do que no setor corporativo. A confiança é um pilar fundamental para essas instituições, e a falha em protegê-la pode ter ramificações duradouras. A implementação de auditorias regulares, segregação de funções e políticas claras de conformidade são essenciais para mitigar riscos e garantir a integridade operacional.

O High Museum, ao que tudo indica, está tomando medidas para fortalecer seus controles internos e recuperar a confiança abalada. A comunidade artística, por sua vez, espera que casos como este sirvam de alerta para a necessidade contínua de vigilância e aprimoramento das práticas de gestão e ética em todas as esferas culturais. A busca por justiça e a reparação de danos são passos importantes, mas a prevenção e a manutenção de um ambiente de integridade são igualmente vitais para o futuro dessas instituições.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews