As ações da construtora e incorporadora Eztec (EZTC3) experimentaram uma queda de até 4% no pregão desta terça-feira, logo após a divulgação de sua prévia operacional referente ao terceiro trimestre de 2026 (3T26). O movimento no mercado acionário ocorreu apesar de os números apresentados terem sido avaliados como "sólidos" por analistas do BTG Pactual e "razoáveis" pelo Safra, ambos recomendando a compra dos papéis.

Por volta das 10h30, os papéis da Eztec eram negociados a R$ 18,96, em um dia de baixa para o mercado de renda variável brasileiro, com o Ibovespa caindo 1,10% e o Imob, índice do setor imobiliário, perdendo 3,16%. A prévia operacional, que abrange o período de julho a setembro, revelou um crescimento expressivo nos lançamentos da companhia.

Lançamentos em Alta e Diversificação

No terceiro trimestre de 2026, a Eztec lançou três empreendimentos na região metropolitana de São Paulo, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 726,5 milhões. Este montante representa um aumento de 52,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com esse resultado, a incorporadora, tradicionalmente focada nos segmentos de médio e alto padrão, atingiu R$ 2,4 bilhões em lançamentos nos nove primeiros meses de 2026 (9M26), um recorde para o período e um crescimento de 53,3% na base anual.

Um ponto de destaque foi a expansão para o nicho econômico, impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Desse total de lançamentos, R$ 411 milhões foram destinados a este segmento, um salto significativo em relação aos R$ 110 milhões registrados nos nove primeiros meses de 2025. Essa diversificação estratégica busca ampliar o alcance da empresa em um mercado com demanda crescente e apoio governamental.

Vendas Líquidas e Gestão de Estoque

As vendas líquidas da Eztec no 3T26 apresentaram um desempenho estável, totalizando R$ 522,7 milhões, uma leve queda de 0,6% em relação ao 3T25. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas líquidas alcançaram R$ 1,8 bilhão, um crescimento de 29,2% na comparação anual, também configurando um recorde para a empresa. Ao final de setembro, a Eztec mantinha um estoque total avaliado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões, distribuído entre unidades prontas (R$ 1,1 bilhão), imóveis em construção (R$ 1,36 bilhão) e lançamentos futuros (R$ 1,1 bilhão).

Análise dos Analistas: BTG Pactual e Safra

O BTG Pactual classificou os resultados operacionais do 3T26 como "sólidos". Os analistas destacaram que as vendas líquidas ficaram próximas do patamar do ano anterior, sustentadas pela comercialização de unidades prontas. A velocidade de vendas (VSO) de 13% foi beneficiada pela contribuição dos estoques finalizados, apesar de dois lançamentos terem ocorrido nas últimas semanas do trimestre. O banco ressaltou o avanço na expansão das operações e a redução do estoque de unidades concluídas como movimentos positivos para a geração de caixa e o retorno sobre o patrimônio. O BTG mantém recomendação de compra para EZTC3, com preço-alvo de R$ 21.

O Safra, por sua vez, considerou os resultados "razoáveis" e alinhados às expectativas. O banco observou uma melhora sequencial nas vendas de estoque, com alta de 32% sobre o trimestre anterior e crescimento anual de 35%. Os lançamentos também superaram a estimativa da casa em 3%. Apesar de reconhecer um ambiente competitivo desafiador em São Paulo, o Safra aponta que as ações da Eztec negociam a um "múltiplo atrativo" de 1 vez o valor patrimonial projetado para 2026. A possibilidade de flexibilização monetária e a monetização da Esther Towers são vistos como catalisadores. O Safra também mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 18.

Implicações e Perspectivas

A reação negativa do mercado acionário à divulgação de resultados operacionais que, na avaliação de analistas, são positivos, pode ser atribuída a diversos fatores. Um deles é a volatilidade inerente ao setor imobiliário e à conjuntura econômica geral, onde o mercado de renda variável tem apresentado desempenho negativo. A concentração de mais de 60% das vendas dos empreendimentos lançados nos últimos dias do trimestre, como apontado pelo Safra, pode ter limitado o desempenho comercial imediato, gerando uma percepção de menor dinamismo.

No entanto, as perspectivas para a Eztec parecem promissoras, especialmente com a valorização potencial da Esther Towers. O contrato de locação com o Itaú Unibanco para a totalidade da torre corporativa, com cerca de 91,4 mil metros quadrados de área locável, representa uma fonte adicional de receita e valor para a empresa nos próximos anos. A combinação de um portfólio diversificado, com expansão para o segmento econômico, e a gestão eficiente de estoques, juntamente com ativos estratégicos como a Esther Towers, fundamentam a confiança dos analistas no potencial de crescimento da companhia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times