A segurança alimentar global depende intrinsecamente do fornecimento de fertilizantes, insumos cruciais para a produtividade agrícola. Uma análise de dados consolidados revela que o comércio mundial desses produtos é dominado por um pequeno grupo de países, com quatro nações respondendo por mais da metade das exportações globais em 2021. A Rússia se destacava como a maior exportadora, seguida de perto por Canadá, Marrocos e China. Essa concentração de mercado não é acidental, mas sim o resultado direto do acesso a depósitos minerais essenciais e fontes de energia, fatores que definem a capacidade de produção em larga escala.

O Mapa dos Exportadores: Concentração e Poder

Em 2021, o volume total de exportações globais de fertilizantes atingiu 113,3 milhões de toneladas. Desse montante, Rússia, Canadá, Marrocos e China somaram impressionantes 53%, evidenciando uma notável concentração de poder no comércio internacional. A Rússia liderou com 23,2 milhões de toneladas, seguida pelo Canadá com 14,4 milhões, Marrocos com 12,2 milhões e China com 10,1 milhões. A lista dos dez maiores exportadores incluiu ainda Estados Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, Israel, Catar e Belarus, demonstrando a importância estratégica dessas nações no suprimento de nutrientes para a agricultura mundial.

Geopolítica dos Nutrientes: Potássio, Fosfato e Nitrogênio

A produção de fertilizantes é diversificada, com diferentes países apresentando vantagens em categorias específicas. O Canadá, por exemplo, detém uma posição privilegiada na exportação de potássio, graças aos vastos depósitos minerais em Saskatchewan. Essa vantagem natural permite que o país forneça mais de 70% do potássio consumido nos Estados Unidos, dificultando a substituição por outros fornecedores como Belarus. Marrocos, por sua vez, domina o mercado de fosfato, com o grupo estatal OCP liderando a mineração e processamento do recurso, controlando mais de 30% do mercado global e gerando receitas bilionárias.

A Energia como Fator Decisivo no Nitrogênio

Para a produção de fertilizantes nitrogenados, o acesso a energia de baixo custo é o principal diferencial. A conversão do nitrogênio do ar em amônia, componente base para fertilizantes minerais, requer um consumo energético substancial e uma fonte de hidrogênio, geralmente proveniente do gás natural. Países como Rússia, Catar e Estados Unidos se beneficiam do gás natural barato para expandir sua produção de amônia. A China, embora também um grande produtor de nitrogênio, utiliza o carvão como principal matéria-prima, aproveitando suas abundantes reservas.

Implicações para a Segurança Alimentar e o Brasil

A concentração do comércio de fertilizantes em poucas mãos levanta questões importantes sobre a segurança alimentar global. Interrupções no fornecimento, seja por conflitos geopolíticos, sanções ou desastres naturais, podem ter um impacto devastador na produção agrícola e nos preços dos alimentos. Para o Brasil, um grande importador de fertilizantes, a dependência de poucos fornecedores representa um risco estratégico. O país busca diversificar suas fontes e aumentar a produção nacional, mas o caminho é complexo e exige investimentos significativos em infraestrutura e tecnologia.

O cenário, com a Rússia liderando as exportações e a influência de recursos naturais e energia ditando o poder no mercado, sublinha a interconexão entre geopolítica e a capacidade de alimentar o mundo. A estabilidade e a previsibilidade no fornecimento de fertilizantes são, portanto, elementos cruciais para a manutenção da paz e da prosperidade globais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Visual Capitalist