A II edição do Congresso Internacional de Pesquisa em Indústrias Criativas, realizado pela Universidade Internacional da Catalunha (UIC), foi palco para a apresentação de um estudo sobre o impacto econômico dos festivais de música na Espanha. Segundo o relatório da Associação de Festivais de Música (FMA), cada euro investido na organização de um evento musical gera, em média, €5,53 adicionais em gasto turístico nos destinos onde ocorrem. O dado sublinha o potencial dos festivais como catalisadores de atividade econômica e desenvolvimento local.

O estudo, realizado em colaboração com a Universidade de Valência, analisou 72 festivais integrados à FMA e quantificou os efeitos diretos, indiretos e induzidos pelo gasto dos festivais e de seus participantes. O resultado é um faturamento total de €3.219,7 milhões, com um valor agregado de €1.490,7 milhões — equivalente a 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além disso, o setor é responsável pela criação de mais de 27.000 empregos a tempo integral, representando 0,13% do emprego total no país.

O motor do gasto: o público

O principal motor por trás desse expressivo impacto econômico é o gasto realizado pelos próprios assistentes, que concentram 88,7% do faturamento total gerado pelos festivais. Paula Ráez, advogada e consultora cultural e membro da FMA, destacou essa centralidade do público durante a apresentação do relatório. “Os festivais estão nas mãos do público, os assistentes são o grande motor de seu impacto”, afirmou. Essa dependência reforça a necessidade de estratégias focadas na experiência do consumidor e na criação de valor para os participantes, garantindo a sustentabilidade e o crescimento contínuo do setor.

Festivais como ativo estratégico

O estudo da FMA vai além de números, posicionando os festivais de música como um “ativo estratégico para a economia espanhola”. Paula Simó, doutora em Economia Internacional e Turismo pela Universidade de Valência e membro do grupo de trabalho da FMA, ressaltou que esses eventos possuem “elevada capacidade de geração de riqueza, emprego e atividade turística”. Essa visão sugere que o apoio a festivais de música não deve ser visto apenas como investimento cultural, mas como ferramenta para o desenvolvimento econômico e a promoção de regiões, especialmente as que buscam diversificar suas economias e atrair visitantes.

O desafio da sustentabilidade ambiental

Apesar do impacto econômico positivo, o relatório aponta um desafio crucial: a sustentabilidade ambiental. Dados da FMA indicam que apenas 21,42% dos festivais analisados declaram medir sua pegada de carbono. Essa baixa adesão dificulta a avaliação rigorosa dos efeitos ambientais da atividade. A associação enfatiza a “necessidade de avançar em ferramentas de medição e acompanhamento e redução de emissões que permitam compatibilizar o crescimento dos festivais com os objetivos de sustentabilidade”. Isabel Villanueva, diretora do BIME e decana da Faculdade de Ciências da Comunicação da UIC, corroborou a preocupação, mencionando a sustentabilidade como um dos principais desafios que a indústria musical enfrenta atualmente, ao lado de questões como a relação com os fãs e a produção sintética impulsionada pela tecnologia.

Olhando para o futuro: além dos números

Paula Simó também defende a importância de incorporar outros indicadores em futuros relatórios, além do impacto econômico. “O impacto econômico é real, mas é importante encontrar a maneira de medir o impacto nos valores, na saúde e no bem-estar, no compromisso ou na participação dos cidadãos”, afirmou. Essa perspectiva amplia a compreensão do valor dos festivais, reconhecendo suas contribuições sociais e culturais. Ana María Castillo, vice-decana da Faculdade de Ciências da Comunicação da UIC, complementou, destacando o propósito do congresso em “gerar tecido social e conectar a academia com a indústria e as instituições”, visando “transformar a cultura para alcançar melhores resultados”. O Congresso Internacional de Pesquisa em Indústrias Criativas (CIIIC) busca, assim, ser um ponto de encontro para debater e propor soluções aos desafios do setor, com a música como eixo transformador na digitalização, sustentabilidade e novas formas de consumo cultural.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España