A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) em 2026 já mobiliza discussões sobre quem comandaria a equipe econômica e quais seriam as primeiras medidas para tentar recuperar a confiança dos investidores. Nomes como os do ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto, do economista Marcelo Kayath, ex-Credit Suisse, e de Alexandre Bettamio, do Bank of America, lideram as apostas do mercado para o comando do Ministério da Fazenda.
Para Silvio Cascione, diretor para Brasil da consultoria Eurasia Group, mais importante do que o nome escolhido é o perfil mais alinhado a uma agenda fiscal considerada ortodoxa pelo mercado. Segundo ele, a formulação do programa econômico já está em andamento por meio de grupos temáticos que trabalham em propostas setoriais e pretendem chegar à transição com uma agenda praticamente pronta. A intenção seria incorporar nomes reconhecidos pelo mercado financeiro, com trânsito entre investidores estrangeiros, para reforçar a credibilidade do novo governo.
Perfil e Agenda Fiscal: As Prioridades do Mercado
A análise da Eurasia Group sugere que, independentemente de quem ocupe a cadeira de Ministro da Fazenda em um eventual governo Flávio Bolsonaro, o foco principal do mercado será a aderência a uma agenda fiscal ortodoxa. Cascione enfatiza que a credibilidade será construída não apenas pelo nome à frente da pasta, mas pela capacidade de apresentar e executar um plano econômico que demonstre disciplina e responsabilidade com as contas públicas. A formação de grupos temáticos para antecipar propostas setoriais indica uma estratégia de preparação avançada, visando apresentar um programa economicamente coeso e detalhado desde o início do mandato.
Influências e Estratégias de Início de Governo
A consultoria aponta que um eventual governo Bolsonaro poderia se inspirar nas estratégias iniciais de mandatos como os de Donald Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina. Essa abordagem concentraria um volume significativo de iniciativas no início do período de maior capital político. No entanto, Cascione descarta a aplicação de um choque de austeridade abrupto, semelhante ao visto na Argentina. A prioridade seria a construção de uma regra fiscal mais crível, com o objetivo de colocar a dívida pública em uma trajetória descendente ao longo de quatro anos, sem comprometer a atividade econômica.
Reformas e Sinalização para os Investidores
A reforma tributária, em especial o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), seria revista, mas sem suspensão. O mecanismo de split payment, parte da segunda fase da reforma, também deve ser mantido. A Eurasia Group espera que medidas para disciplinar o orçamento de 2027 sejam anunciadas durante uma eventual transição, incluindo limites de crescimento de gastos, redução de despesas fora do teto e mecanismos de controle fiscal mais rigorosos. A reformulação gradual da regra fiscal, com foco na relação dívida/PIB e gatilhos automáticos de contenção de despesas, tem o potencial de gerar efeitos positivos nos ativos brasileiros, com projeções de um dólar a R$ 4,50 e queda nos juros.
Perspectivas Econômicas e Taxa de Juros
As projeções da consultoria indicam que a taxa Selic poderia encerrar 2027 próxima de 11%, com possibilidade de cortes adicionais em anos subsequentes, dependendo da inflação e da atividade econômica. Uma Selic em torno de 9% em 2028 é considerada, caso haja necessidade de estímulo econômico. A sinalização fiscal crível, aliada a uma gestão econômica ortodoxa, é vista como fundamental para a recuperação da confiança dos investidores e para a estabilização da economia brasileira.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





