O setor de transporte rodoviário de cargas, termômetro da economia real, opera com as margens cada vez mais espremidas. Um levantamento da associação NTC & Logística, divulgado nesta quinta-feira, calculou uma defasagem média de 10,5% nos valores de frete durante o primeiro semestre do ano, um rombo causado diretamente pela escalada no preço do diesel.

O combustível, que responde por 44,7% da estrutura de custos de uma transportadora, subiu 17,63% no período. O número expõe a vulnerabilidade de um setor fundamental para a cadeia de suprimentos do país. Embora subsídios governamentais tenham amenizado o impacto, a conta não fechou para as empresas, que se viram forçadas a absorver parte do prejuízo, renegociar contratos e buscar ganhos de produtividade para sobreviver.

A matemática da margem

A pressão sobre os custos não é um fenômeno novo, mas sua dinâmica mudou. Segundo a NTC & Logística, a defasagem não se agravou em relação ao ano anterior por um motivo específico: desde a guerra na Ucrânia, os contratantes de frete demonstram maior aceitação aos repasses de custos do combustível. Essa nova sensibilidade, contudo, não foi suficiente para cobrir o aumento. Com os demais custos operacionais variando pouco, a pressão se concentrou quase inteiramente no diesel, tornando o reajuste uma negociação tensa e, como os números mostram, insuficiente.

Sinais de alerta no horizonte

O estudo revela mais do que uma dificuldade conjuntural. O pessimismo dos empresários do setor em relação à economia é um sinal de alerta relevante, indicando uma percepção de arrefecimento da atividade econômica à frente. Para complicar o cenário, a pesquisa aponta para uma dificuldade crescente na contratação de motoristas. Essa escassez de mão de obra é um problema estrutural que, somado à compressão financeira, ameaça criar um gargalo operacional com potencial para afetar toda a economia.

A situação atual é um equilíbrio precário. A defasagem de 10,5% não é apenas uma estatística, mas a medida da tensão sobre um pilar da economia brasileira. A questão que fica é por quanto tempo o setor consegue absorver os choques antes que a corda arrebente, com consequências em cascata para preços e disponibilidade de produtos em todo o país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times