A Fundació Bit, entidade pública das Ilhas Baleares, participou nesta quinta-feira, em Toulouse, na França, do encontro final do projeto Cesam (Circular Economy and Sustainable Agri-Food in the Mediterranean). A iniciativa reuniu cerca de 60 líderes institucionais e empresariais para consolidar os resultados de um esforço conjunto entre Baleares, Catalunha e Occitânia voltado à sustentabilidade agroalimentar.

O evento marcou a conclusão de um ciclo de fomento à inovação que busca integrar as cadeias produtivas destas três regiões mediterrâneas. Segundo informações da Conselleria de Economia, Hacienda e Innovación, o foco central foi a apresentação de 16 projetos desenvolvidos por pequenas e médias empresas (PMEs) que buscam viabilizar a transição para modelos produtivos circulares, reduzindo o impacto ambiental do setor.

O papel da cooperação transfronteiriça

O projeto Cesam reflete uma tendência crescente na União Europeia: a utilização de consórcios regionais para resolver gargalos industriais específicos. Ao unir a Eurorregião Pirineus Mediterrâneo com agências de inovação como a Agri Sud-Ouest Innovation e a ACCIÓ, o projeto cria uma massa crítica capaz de atrair financiamento europeu para tecnologias que, individualmente, teriam dificuldade de escala.

A estratégia de cooperação permite que empresas como a Terracor e a GoZeroWaste compartilhem desafios logísticos e tecnológicos. A leitura aqui é que a fragmentação regional é superada pela especialização temática, transformando o Mediterrâneo em um laboratório para a economia circular, onde a troca de experiências entre empresas de diferentes países acelera a adoção de novas práticas.

Soluções tecnológicas e operacionais

As inovações apresentadas pelo consórcio abrangem desde o tratamento avançado de águas industriais até o desenvolvimento de embalagens sustentáveis. A otimização de processos e a valorização de coprodutos agroalimentares surgem como pilares para aumentar a eficiência operacional sem comprometer a rentabilidade do produtor rural.

O mecanismo por trás do sucesso dessas iniciativas reside na conexão entre o capital de risco público e a necessidade prática das PMEs. Ao facilitar o acesso a fundos do Conselho Europeu de Inovação, o projeto garante que a transição verde não seja apenas um imperativo regulatório, mas uma vantagem competitiva tangível para os participantes.

Desafios e stakeholders

O futuro do setor, conforme discutido por especialistas como María Francisca Parets, da Cooperativas Agroalimentarias de Baleares, depende da capacidade das empresas em equilibrar produtividade e resiliência climática. Reguladores, investidores e consumidores estão alinhados na demanda por transparência na cadeia produtiva, o que pressiona as empresas a adotarem métricas de ESG cada vez mais rigorosas.

Para o ecossistema brasileiro, o modelo europeu de cooperação regional oferece um paralelo interessante. A integração entre polos de tecnologia e cadeias agroindustriais, quando mediada por agências de fomento, demonstra como a colaboração entre estados pode ser mais eficaz do que iniciativas isoladas para enfrentar desafios globais de sustentabilidade.

Perspectivas de longo prazo

O que permanece incerto é a escalabilidade dessas soluções fora do ambiente de subsídio europeu. A transição para a economia circular exige que as inovações testadas em projetos-piloto alcancem viabilidade comercial plena, sustentando-se sem o aporte direto de fundos públicos a longo prazo.

Observar como essas 16 PMEs se comportarão no mercado aberto após o encerramento do Cesam será fundamental para medir o sucesso real da iniciativa. A sustentabilidade no agro, portanto, entra em uma nova fase de maturação, onde a inovação tecnológica precisa encontrar o seu lugar definitivo na estrutura de custos do setor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España