Um grupo de galerias francesas, representadas pelo Comité Professionnel des Galeries d’Art (CPGA), enviou uma carta de reclamação aos organizadores da Art Basel Paris. A insatisfação decorre do fechamento antecipado da feira em outubro, dois dias antes do previsto, em decorrência de protestos planejados na cidade e de uma suposta falta de consulta aos expositores. A decisão, segundo a CPGA, impactou negativamente as vendas, especialmente para galerias menores que dependem mais do movimento de fim de semana.
Fechamento Inesperado e Falta de Diálogo
A Art Basel Paris justificou o fechamento antecipado nos dias 24 e 25 de outubro como uma medida de segurança para todos os envolvidos, diante dos protestos que ocorreriam no sábado. No entanto, a CPGA argumentou em sua carta ao diretor da feira, Karim Crippa, que os expositores não foram consultados sobre a decisão. A organização questionou a necessidade de fechar também no domingo, considerando que a exposição "Cézanne et nous", localizada em outra parte do Grand Palais, permaneceu aberta. Membros da CPGA representam mais de um quarto dos expositores, e a carta descreveu a gestão do fechamento antecipado como "um sinal de desrespeito, de desprezo", exigindo "compensação apropriada" pelas perdas comerciais sofridas.
Greve no Mucem contra Retorno de Presidente
Em outra frente de tensão no cenário cultural francês, trabalhadores do Musée des civilisations de l’Europe et de la Méditerranée (Mucem), em Marselha, anunciaram uma greve. O protesto visa manifestar o descontentamento com o retorno de Pierre-Olivier Costa à presidência do museu. Costa havia sido suspenso por vários meses para que uma investigação governamental apurasse acusações de assédio sexual e moral, além de supostamente colocar o museu nacional em risco. Contudo, Costa anunciou seu retorno, afirmando que as autoridades governamentais não o questionaram e que o fim de sua suspensão de quatro meses indicaria a falta de provas contra ele.
Implicações para o Setor de Arte
Os incidentes na Art Basel Paris e no Mucem expõem as complexas relações entre grandes eventos culturais, autoridades e os profissionais do setor. A demanda por compensação por parte das galerias levanta questões sobre a governança de feiras de arte internacionais e a importância da consulta aos expositores em decisões que afetam diretamente seus negócios. A situação no Mucem, por sua vez, reflete os desafios na gestão de instituições culturais e as repercussões de investigações sobre seus líderes. A combinação desses eventos sugere um período de instabilidade e reavaliação de práticas no mundo da arte, onde a transparência e a colaboração se tornam cada vez mais cruciais.
Perguntas em Aberto
Resta saber como a Art Basel Paris responderá à exigência de compensação das galerias francesas e se essa demanda abrirá um precedente para futuras edições da feira. No caso do Mucem, a eficácia da greve em reverter a decisão sobre o retorno de Pierre-Olivier Costa e as conclusões da investigação que o levou à suspensão inicial ainda são incertas. A forma como essas tensões serão resolvidas pode impactar a confiança e a estabilidade no setor cultural francês e internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





